sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Foliões registraram 402 casos de racismo no carnaval de Salvador


O crime de racismo liderou as denúncias de violência ou discriminação registrados nos quatro postos do Observatório da Discriminação Racial, da Violência contra a Mulher e LGBT durante o carnaval. São 402 de total de 544 registros, número que representa 15,8% do total de queixas. O Observatório é um órgão vinculado à Secretaria de Reparação Racial.
A turismóloga Maria França, que assistiu ao desfile d´Os Negões, contou que percussionistas do grupo foram agredidos por foliões que estavam pipocas. "Não estava acontecendo com outros blocos. Eu acompanhei o Coruja, outros blocos, e eu não vi esse tipo de comportamento", disse. Este é um dos casos que foram registrados no Observatório durante a festa popular.
O censo do IBGE de 2010 mostrou que 76,27% da população soteropolitana é negra ou parda. Na Bahia, o percentual aumenta para 79,47%. "O racismo que incide no carnaval, em grande parte, coincide com o local em que o negro é colocado, ao lado das cordas, na condição de folião pipoca, espremido entre os blocos e os camarotes", avalia o pesquisador Valdélio Silva.
Fora da folia, a auxiliar de enfermagem Aba Hildete Correia registrou queixa de racismo contra uma agência bancária de Salvador. Segundo a vítima, ela precisou ir ao banco para assinar os documentos do financiamento estudantil.
Ana Hildete conta que o segurança do banco exigiu que a bolsa dela fosse revistada. "Quando eu fui empurrar a porta, travou. Ele disse: 'para a senhora entrar, vai ter que deixar eu revistar a sua bolsa ou então botar no guarda volume'", conta.
O Grupo Especial de Combate à Discriminação Racial apurou 215 denúncias de racismo desde que foi criado em 1997. O cordenador do grupo explica que qualquer pessoa que se sinta vítima de racismo pode procurar o Ministério Público ou uma delegacia de polícia. "A Constituição de 1988 estabeleceu que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Todo aparato judicial está pronto para reprimir qualquer ação nesse sentido", explicou o promotor Cícero Ornelas. Fonte: G1 Bahia
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