sábado, 25 de março de 2017

Revolução Russa: assim tudo começou

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Em fevereiro de 1917 na Rússia, em plena guerra mundial, o regime czarista da secular dinastia Romanov é derrubado por um amplo levante de massas. Alguns meses mais tarde, em outubro (as revoluções russas de março e novembro ocorreram, pelo calendário adotado pelo antigo regime, duas semanas antes, e assim ficaram conhecidas), apoiado na mobilização popular e nos sovietes (conselhos) de operários, soldados e camponeses que tomam todo o país, os bolcheviques liderados por Lenin e Trotsky conquistam o poder. Pela primeira vez na história, desde a radicalmente democrática Comuna de Paris ser afogada em sangue pela reação burguesa, uma revolução vitoriosa dava início à construção de uma sociedade socialista. A barbárie imperialista da Primeira Guerra Mundial havia aberto uma nova época, a era da atualidade da revolução. Começava um novo capítulo da modernidade. O século XX iniciava.
A revolução de fevereiro
A miséria gerada pela guerra e pelo inverno de 1916-1917 faz a insurreição contra o regime do czar Nicolau II explodir em fevereiro. A marcha do Dia Internacional das Mulheres deflagra a greve das trabalhadoras na indústria textil, que se estende rapidamente ao conjunto do proletariado de Petrogrado (hoje São Petesburgo), capital da monarquia imperial russa. Em poucos dias, a greve de massas transforma-se em insurreição, com os gritos de “Pão”, “Paz” e “Abaixo o Czar”, e a passagem da guarnição militar para o lado dos revolucionários. Os trabalhadores redescobrem a auto-organização e o duplo poder: resgatam a experiência da revolução de 1905, com a formação de “sovietes” (conselhos) nas fábricas e nos bairros, e a organização de uma milícia operária (a “guarda vermelha”). Na frente de batalha, os soldados elegem seus comitês e questionam os oficiais de um exército que começa a se decompor, enquanto o campesinato inicia uma verdadeira revolução agrária no campo. O aparato do Estado e a base social do regime entram em colapso.
A dualidade de poder
Entre fevereiro e outubro de 1917 a Rússia vive uma explosão social e um processo de radicalização democrática impensável sob uma autocracia, algo inédito em termos mundiais: uma situação de dualidade de poder entre “os de baixo” e “os de cima”. De um lado, estava o chamado governo provisório, que sucede o regime do czar deposto. Constituído por liberais e reformistas moderados, ele mantém a aliança com as potências imperialistas e prossegue com o esforço de guerra. De outro, estavam as massas populares das cidades e do campo, com a sua vanguarda de representantes eleitos nos conselhos, exasperadas com a situação paradoxal de terem derrubado o regime em nome de “paz, pão e terra”, e nada disso se materializar na vida real. A resposta a esse paradoxo estava na hegemonia política no interior dos sovietes. Eram os setores social-democratas moderados (mencheviques) e os socialistas-revolucionários (populistas) que tinham maioria. A ala revolucionária, composta pelos bolcheviques e os socialistas-revolucionários de esquerda, era minoritária entre os representantes eleitos nos sovietes.
A partir de maio, com a evolução da crise, o agravamento da fome e as derrotas militares, os partidos reformistas, majoritários nos sovietes, integram-se ao governo provisório. Passam então, de apoiadores críticos a colaboradores diretos da ordem, e tentam frear a radicalização do movimento revolucionário, acumulando desgate e perda de credibilidade com a base social. Os bolcheviques crescem em influência defendendo a jornada de 8 horas e o controle operário nas fábricas. No início de junho, realiza-se o Primeiro Congresso de Deputados Operários e Soldados, com mais de 1000 delegados eleitos por 20 milhões de pessoas. O Congresso dos Sovietes reúne uma ampla maioria de representantes moderados do partido populista, dos mencheviques e de socialistas independentes. Os bolcheviques têm apenas 10% dos delegados. Logo após, o Soviete se reagrupa com o Congresso Pan-Russo dos Camponeses, onde os populistas possuem uma esmagadora maioria. Nesse contexto de crise e de crescimento do descontentamento popular, o governo provisório desmoraliza-se rapidamente, e avança a consigna política defendida pelos bolcheviques: “Todo o poder aos sovietes”.
Revolução e contra-revolução
A nova relação de forças leva ao choque entre revolução e contra-revolução nas “jornadas de julho”. Kerensky, um trabalhista moderado, assume a direção do governo provisório como primeiro-ministro, restaura a pena de morte, dissolve os regimentos insurretos e designa o general Kornilov comandante do Estado-Maior. Apesar da repressão, os bolcheviques avançam em influência na classe operária e no exército. Em agosto, o general Kornilov deflagra uma tentativa de golpe de Estado, mas em poucos dias é derrotado, graças à resistência armada dos sovietes de Petrogrado, já sob a liderança bolchevique. Assim, no começo de setembro, o pêndulo da política oscila radicalmente. O partido bolchevique (com Lênin na clandestinidade, na Finlândia) torna-se majoritário nos sovietes de Petrogrado e Moscou. A dinâmica revolucionária impõe seu ritmo vertiginoso e a direção bolchevique enfrenta uma divisão sobre a estratégia a ser adotada: de um lado, Lênin e a maioria, partidários da preparação imediata da insurreição e da tomada do poder; de outro, Zinoviev e Kamenev, contrários à linha insurrecional. Convocado o Congresso Nacional dos Sovietes de Operários, Soldados e Camponeses de toda a Rússia, o Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado, comandado por Trotsky, inicia a preparação da insurreição. Quando o Congresso dos Sovietes se reúne na capital, em outubro, a revolução já é vitoriosa e o governo provisório não existe mais. A hegemonia do país e dos sovietes havia mudado radicalmente: dos 650 delegados do Congresso, o bloco reformista, antes majoritário, agora tem menos de 100 representantes, enquanto os bolcheviques somam quase 400, aos quais agregam-se os socialistas-revolucionários de esquerda. O Congresso dos Sovietes elege o primeiro governo dos trabalhadores, liderado por Lênin, que anuncia os decretos sobre a paz imediata e sobre a distribuição de terras, e declara: “Iniciamos a construção da nova ordem socialista”.
Após a incruenta e rápida tomada do poder em outubro, devido ao total colapso do governo provisório e do próprio Estado, o poder dos sovietes enfrenta um duríssimo acordo de paz com a Alemanha, sendo obrigado a ceder grande parte do território russo para evitar a ofensiva final do exército imperial germânico no início de 1918. Território recuperado alguns meses mais tarde, após a derrota alemã frente às potências ocidentais. Depois de encerrarem vitoriosamente a guerra, as potências imperialistas atacam a Rússia Soviética com tropas e fornecem apoio às forças russas da contra-revolução, os “exércitos brancos”, impondo uma guerra civil que se desenvolve entre 1918 e 1921, e que termina por destruir completamente o país, já exaurido pela guerra mundial. A guerra civil se conclui com a vitória do Exército Vermelho.
A vitória da revolução socialista na Rússia em 1917 desperta grandes expectativas entre as massas trabalhadoras da Europa, e inspira uma onda revolucionária em vários países, principalmente na Alemanha e Hungria, mas que termina sendo derrotada pelos governos imperialistas (com a colaboração decisiva dos partidos social-democratas). Na jovem União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sete anos de guerra ininterrupta provocam um desastre econômico, social e humano indescritível. Totalmente isolada internacionalmente, destruída materialmente, com suas grandes cidades despovoadas e o povo literalmente esfomeado, a Rússia e o seu Estado dos trabalhadores resistem bravamente aos ataques imperialistas e a guerra civil, mas tanto a democracia dos sovietes como a construção da nova ordem socialista estão irremediavelmente comprometidas.
O ciclo revolucionário de 1917-1923 é derrotado e seguido por um curto período de estabilização do capitalismo, após a carnificina imperialista da guerra (mais de 10 milhões de mortos). Porém, logo a crise mundial retorna com o crash da bolsa de Nova York em 1929 e o início da Grande Depressão, que vai provocar a ascensão do nazismo na Alemanha, e desemboca na maior barbárie da modernidade: a Segunda Guerra Mundial (mais de 50 milhões de mortos). Na URSS, em um contexto de reconstrução do país e de isolamento internacional, e após a morte de Lenin (janeiro de 1924), a situação política, social e econômica favorece a emergência de um regime burocrático e autoritário, frente à diminuição física da classe operária, ao esgotamento das energias sociais dos sovietes e à fusão do partido bolchevique com o aparelho de Estado, sob a direção impiedosa de Stalin. Ao final da década de 1920, Trotsky, já expulso do partido e da própria URSS, caracteriza a situação, passada uma década da vitória de Outubro, em seu livro A Revolução Desfigurada. Finalmente, após o regime stalinista consolidar-se, deflagrar a violência inaudita da coletivização forçada no campo, destruir fisicamente a direção leninista e o próprio Partido Bolchevique, através dos trágicos Processos de Moscou, em meados dos anos 1930, Trotsky declara a Revolução Traída — título de sua obra clássica. Um século depois, a degeneração burocrática da Revolução Russa não apagou a utopia emancipatória do Outubro vermelho de 1917. No centenário da Revolução de Outubro e em plena crise de civilização capitalista, a atualidade dessa utopia continua viva.
Por Eduardo Mancuso
Fonte: carosamigos.com.br
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quinta-feira, 23 de março de 2017

Estilista carioca ganha causa sobre o uso de turbante em fotos de documentos

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“Esse RG para mim, é especial, porque os anteriores foram com turbante, esse meu ultimo RG é um troféu que está em minhas mãos. Eu estou segurando esse troféu, mas eu não estou segurando o meu troféu, eu estou segurando um troféu dos meus irmãos, do povo preto”, diz a estilista Rogéria Ferreira, que foi proibida de tirar foto com turbante na cabeça para a carteira de identidade. O caso da estilista gerou uma ação movida pela Defensoria Pública que obteve ganho de causa, liberando o uso de turbante, óculos e outros adereços para as fotos. A decisão jucidial ocorreu em meados deste março, após cerca de um ano do caso.
Dona da grife Matamba, a estilista conta que sempre usou turbante como uma forma de conservar a sua ancestralidade e descreve a atitude do Departamento de Trânsito (Detran), o órgão na capital fluminense que procurou para tirar a segunda via da identidade após ser assaltada, como uma maneira de tirar a sua individualidade. “Eu uso turbante 24 horas por dia porque faz parte da minha identidade, faz parte de mim”.
Foi questionada se era candomblecista ou se tinha câncer, pois só assim poderia usar o turbante. A estilista se negou a responder aos funcionários do Detran por considerar a pergunta uma afronta à sua intimidade. Os funcionários, muito intransigentes com a situação, prontificaram-se a responder que era para ela ir ao banheiro “dar um jeito no cabelo” ou voltar outro dia. A designer de moda, que precisava do protocolo para tirar a nova identidade, aceitou a represália: “Eu respirei fundo, fui ao banheiro, tirei meu turbante, molhei meu cabelo e tirei a foto”, diz ela.
Após o ocorrido, Rogéria foi à delegacia da Central do Brasil e lá disseram que não poderiam fazer nada por não terem “provas suficientes”. Procurou o Fórum e constatou que não conseguiria ajuda também. Conversando com um amigo, teve a indicação de um advogado do Núcleo de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e, por intermédio desse núcleo, Rogéria chegou à Defensoria, que moveu ação contra o Estado. Um ano depois do caso, a Defensoria obteve ganho de causa, garantindo o direito de que as pessoas exibam, em seus documentos de identidade, foto usando turbantes, chapéus, véus ou qualquer outra cobertura de cabeça, feita por motivo religioso, desde que não esconda o rosto.
Racismo no Brasil é algo estrutural
A estilista acredita que o racismo no País seja algo estrutural: “Eu sinto que as pessoas não admitem que o preto faça alguma coisa, como se não admitissem que o preto brilhe, destaque-se. Eu percebo que o preto é proibido de saber de alguma coisa, proibido de aprender, proibido de ser patrão, eu falo isso também por ser afroempreendedora”
Como dona da marca Matamba, ela lida com diversos tipos de personalidade que, muitas vezes, apesar de gostarem dos seus produtos, não acreditam que foi ela que confeccionou: “As pessoas quando vêem minhas coisas acham maravilhosas, mas elas não admitem que seja uma preta que fez. No fundo, elas não acreditam que eu sou capaz de ter feito aquilo. Então você percebe que todo indivíduo carrega um certo nível de preconceito”.
Mudança para o Rio de Janeiro
Rogéria mudou-se para o Rio aos 18 anos para fazer faculdade de Ciências Sociais. Porém teve de abandonar os estudos após a situação financeira apertar. A estilista é mineira de Pirapitinga e até hoje se assusta com a hostilidade e o racismo das ruas da cidade grande.
“No Rio se você vê um preto de terno e gravata, você já ouve o burburinho de que a pessoa só pode ser motorista. No metrô, outro dia, aconteceu uma situação semelhante a essa que descrevi: tinha um homem com terno e gravata e começaram duas mulheres argumentarem que ele só poderia ser motorista de alguma ‘madame’ com aquele traje. No mesmo momento eu levantei e questionei as senhoras se ele não poderia ser um executivo de uma grande empresa ou ter qualquer outra profissão que não fosse a de um motorista”.
A estilista diz que em Pirapitinga era possível enxergar mais empatia, realidade que não consegue observar em uma cidade com a dimensão geográfica do Rio de Janeiro. 
Sobre vender seu trabalho para varias etnias
Dona da grife Matamba há aproximadamente um ano, Rogéria vende seu trabalho para todas as etnias. “Eu vendo para caucasiano. Por exemplo, o turbante, turbante não tem uma pessoa que não acha o turbante bonito, o turbante é uma coroa, não tem como alguém não achar isso lindo. A diferença de uma mulher preta e uma mulher branca usar o turbante é o resgate da nossa ancestralidade”.
Por: Marina Saran
Fonte: carosamigos.com.br
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quarta-feira, 22 de março de 2017

PALESTRA SOBRE REFORMA DO ENSINO MÉDIO

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Aconteceu hoje (22/03/2017) na Câmara de Vereadores de Governador Mangabeira, uma palestra com o PROFESSOR BORGES, acerca da REFORMA DO ENSINO MÉDIO, aprovada no GOVERNO GOLPISTA de Michel Temer. Reforma essa que não foi discutida com os movimentos sociais, os professores, alunos, pais, especialistas e a sociedade de modo geral. O evento foi promovido pela APLB Sindicato, fruto de um conjunto de atividades em oposição a reforma da previdência apresentada pelo governo ilegítimo de Temer.
Durante a palestra o professor Borges, realizou um breve histórico acerca do ensino médio no Brasil, bem como, elucidou as principais aspectos da lei (PLV 34/2016), que implementa o novo ensino médio no país. Abaixo, consta uma síntese dessas mudanças.
Em tem, parabenizamos a APLB local, através das professoras Alina Rita e Marlene Borges, pela realização dessas atividades, bem como, as professores e os professoras das redes municipal e estadual pela presença nos eventos, demonstrando a força da categoria e ao mesmo tempo dizendo não as ideias desse governo golpista em querer tirar direitos da classe trabalhadora brasileira.

REFORMA DO ENSINO MÉDIO – PRINCIPAIS MUDANÇAS

         Carga horária anual- Aumentará de 800 para 1.400 de forma gradual, nos cinco primeiros anos as escolas devem atingir 1.000 horas.
         60% dessa carga horária será preenchida com Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os 40% serão optativos, segundo interesse do aluno e voltados para as realidades local e regional.
         Carga horária diária -  passará para cinco horas no prazo de cinco anos. Depois  aumentará para sete horas diária para ofertar educação em tempo integral.
         O aluno escolherá as disciplinas que deseja cursar conforme sua área de interesse a partir da segunda metade do ensino médio. 
          Disciplinas obrigatórias – apenas matemática, língua portuguesa e língua estrangeira nos três anos.
         As outras disciplinas irão depender da aprovação da BNCC.
         A BCCN – tem por objetivos definir as bases gerais de cada componente curricular e as possibilidades metodológicas de abordagem desses componentes ao longo da educação básica.  Para entrar em vigor precisa ser aprovada pelo Conselho nacional de Educação.
         Será utilizado um sistema de módulos e de créditos no decorrer do ano letivo.
         Itinerários formativos - linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional.
         As escolas serão obrigadas a oferecer pelo menos uma dessas áreas aos estudantes.
         Cada Estado organizará seu currículo.
         Ensino técnico - o aluno poderá optar por uma formação técnica profissional durante o ensino médio regular e, ao final dos três anos, ser certificado tanto no ensino médio como no curso técnico.
         Livros didáticos -  serão articulados por área do conhecimento, unificando as disciplinas.
         Créditos – os alunos poderão utilizar as disciplinas cursadas  no ensino médio na universidade.
         Avaliação - Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação processual e formativa serão organizados nas redes de ensino por meio de atividades teóricas e práticas, provas orais e escritas, seminários, projetos e atividades online, de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:   I – domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna;  II – conhecimento das formas contemporâneas de linguagem.”
         Notório saber – profissionais com bacharelado poderão ministrar aulas em disciplinas dos cursos técnicos e profissionalizantes.
         Prazos - A partir da publicação da BNCC, os sistemas de ensino terão o ano letivo seguinte para estabelecer o cronograma de implantação das principais alterações, e iniciar o processo de implementação a partir do segundo ano letivo.
         A previsão do governo para a implementação do “novo” ensino médio é 2019.
         As escolas particulares, também terão que seguir as novas regras.
         Recursos – repasse de verbas do Governo Federal para as escolas por 10 anos, a partir da implementação dos sistema. Cada escola receberá R$ 2 mil por ano para cada aluno.
         Críticas dos especialistas
         O governo apresentou as mudanças através de uma medida provisória, sem consultar a sociedade e especialistas.
         Separação entre quem terá formação operária e quem terá a formação intelectual.
     A reforma não leva em consideração a  formação continuada de professores e professoras, bem como, não menciona a valorização salarial.
              As mudanças não enfatizam o ensino médio noturno, como a EJA.
         As escolas estão com dificuldades de recursos, sejam humanos, técnicos ou financeiros para implementarem as reformas.
         O perigo que as escolas sejam transformadas em uma espécie de colégio interno, com a suposta ideia de educação em tempo integral.
         Confusão entre BNC e currículo.
         Filosofia e sociologia como disciplinas optativas.
         O problema da educação no Brasil não está no número de disciplinas, mas na falta de articulação entre elas.

         Perigo de uma elevada concentração de alunos em uma determinada área na segunda metade do ensino médio.
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terça-feira, 21 de março de 2017

Nota contra a perseguição e coação a professores de história

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Os profissionais da História brasileiros representados pela ANPUH vem a público demonstrar sua profunda preocupação com o processo de coação e perseguição sofrido por professores de História ao longo dos últimos meses.
Esse processo, certamente, é estimulado pelo movimento Escola Sem Partido que organiza eventos, produz conteúdo digital divulgado em seu sítio eletrônico etc. e patrocina ações legislativas que estimulam a coação, o constrangimento e a censura aos professores de História em todo o território nacional. Já temos registro de casos de professores que sofreram e ainda sofrem esse tipo de ação.
No momento, três casos nos preocupam profundamente.
O primeiro é o do Colégio Pedro II na cidade do Rio de Janeiro. Lá, professores de História, há alguns meses, foram interpelados pelo Ministério Público Federal, que acaba de abrir um processo administrativo contra esses servidores públicos federais por supostos delitos.
O segundo é o processo civil contra a professora Marlene de Faveri no Estado de Santa Catarina, por suposta propaganda do feminismo em sua atividade docente.
E, finalmente, o afastamento da atividade docente do Professor José Mineiro da rede pública estadual do Rio Grande do Sul, em função também do conteúdo de sua atividade docente.
Todos esses eventos de censura e perseguição a professores são baseados principalmente na "crença" do "Escola sem Partido" de que os docentes estariam fazendo "doutrinação esquerdista" dos seus alunos.
A ANPUH registra sua indignação com a desvalorização e a criminalização do trabalho dos profissionais da História presentes nesse tipo de ação e chama a atenção para os resultados catastróficos para o futuro da democracia e do pensamento crítico e emancipador na sociedade brasileira.

Fonte: anpuh.org.br

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quarta-feira, 15 de março de 2017

Manifestações em Salvador contra a Reforma da Previdência

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Hoje (15/03), aconteceram em Salvador manifestações contra a Reforma da Previdência, proposta pelo governo golpista de Michel Temer. Pela manhã milhares de pessoas se reuniram em frente ao Iguatemi, já pela tarde outros milhares se deslocaram em passeata do Campo Grande para a Praça Castro Alves. As manifestações foram organizadas por diversas centrais sindicais, dentre elas a CTB, CUT e UGT, sendo que em relação aos profissionais de educação, a coordenação ficou a cargo da APLB Sindicato. Estudantes de escolas públicas e particulares, também participaram das atividades.
Diversos representantes de sindicatos do estado da Bahia, coordenados pela APLB Sindicato, discusaram enfatizando os prejuízos que a Reforma da Previdência podem causar para a classe trabalhadora brasileira, ao passo que entoavam palavras de ordem como: "não a reforma da previdência", bem como, "fora Temer", as quais eram respondidas pelo público presente.
Centenas de delegações do interior do estado estavam presentes na manifestação. O município de Governador Mangabeira, esteve representado através de professores e professoras das redes municipal e estadual, coordenados pela APLB local, através das professoras Alina Rita e Marlene Borges. Junto com os educadores estava a vereadora Maria das Graças Menezes (Gal).
As manifestações de hoje, na área da educação, inauguram um período de paralisação de dez dias nas escolas municipais e estaduais, quanto os profissionais dessa área estarão discutindo em suas cidades os efeitos danosos da Reforma da Previdência para os trabalhadores e trabalhadoras de todo o país, bem como, irão realizar manifestações em praças e ruas das cidades como forma de demonstrar para a população em geral os prejuízos da mencionada reforma.

NENHUM DIREITO A MENOS. NÃO A REFORMA DA PREVIDÊNCIA. FORA TEMER...
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sábado, 4 de março de 2017

PETIÇÃO PÚBLICA CONTRA A EXCLUSÃO DA HISTÓRIA COMO DISCIPLINA OBRIGATÓRIA NO ENSINO MÉDIO

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Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Michel Temer:

A Medida Provisória nº 746/16 referente à Reforma do Ensino Médio Brasileiro, recentemente aprovada sem consulta previa à sociedade, exclui a obrigatoriedade da disciplina História neste nível de ensino. Tal exclusão representa um prejuízo inestimável para a formação de nossos estudantes, não só no que se refere ao conhecimento do passado, mas sobretudo, pela sua importância na orientação de valores básicos relacionados à cidadania numa sociedade democrática.
Reavivando a memória do Regime Militar, vale lembrar que essa disciplina foi alvo de repressão durante a ditadura e acabou sendo diluída na disciplina denominada Estudos Sociais. Só voltou a integrar o currículo do Ensino Básico a partir de uma forte resistência da comunidade de historiadores, com apoio de amplos setores da sociedade que lutavam pela redemocratização do país. Na vigência do regime democrático, a exclusão da disciplina História do rol das disciplinas obrigatórias é inaceitável.
Concordando com os argumentos expostos acima, subscrevo meu apoio à luta pela permanência da História no currículo escolar em todos os níveis.


Assine o Abaixo-Assinado aqui.
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Jesus te salvou do que, afinal?

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Quem já não ouviu de um fanático religioso a frase coercitiva "Jesus morreu pelos seus pecados!”, uma frase que parece nos colocar em dívida com Deus. A frase parece ter a intenção de nos fazer sentir em falta com o “Criador” se não frequentamos uma determinada religião. De fato, no início da vida de Jesus (Mt 1, 18-24), o evangelista deixa claro que quem irá nascer será aquele “que vai salvar seu povo de seus pecados”. Mas sejamos sinceros: Jesus nos salvou do que?
Se analisarmos o desenvolvimento da humanidade depois de Jesus Cristo encontraremos uma história de derramamento de sangue em nome ou não de Deus, de escravidão negra, de extermínio de povos na América e África, de duas grandes guerras somente no século 20 e hoje não temos uma sociedade sem pecados, sejam eles individuais ou sociais. Então, do que Jesus nos salvou?
O problema está na pergunta formulada e não na resposta. A pergunta não pode ser feita no pretérito, mas no presente: Jesus nos salva do que? Esta pergunta possui muito mais relação conosco do que com Deus. Deus já fez a sua parte. Jesus é um paradigma, um modelo a ser seguido, o caminho, a verdade de Deus e, portanto, a vida. Cabe a cada um de nós seguir ou não este modelo, viver como salvo ou como condenado. E quando eu falo em seguir ou não este modelo não está falando em ser adepto de uma religião ou não. A questão está relacionada a valores. Se lermos com atenção os Evangelhos veremos que ao vivermos os valores pregados e vividos por Jesus encontraremos um caminho de salvação não somente individual, mas também coletiva.
Ao vivermos como Jesus somos salvos de muitos aspectos destrutivos da vida. Jesus nos salva da hipocrisia. Jesus é uma pessoa verdadeira e que critica (principalmente os religiosos da época) todos que constroem relações baseadas na falsidade ou nas conveniências sociais. Jesus nos ensina que, ao vivermos na sinceridade e na veracidade, construímos uma vida segura para todos. Jesus nos salva do individualismo, pois Ele se envolve em todas as circunstâncias que lhe aparecem pela frente. Jesus mostra que não existe neutralidade, esta é uma ilusão criada pelo ser humano. A partir do momento em que tomo ciência de algum fato, estou envolvido e, a partir deste momento, cabe a mim a decisão de ser omisso ou me comprometer com ele. Jesus nos salva da indiferença social. Ele se coloca do lado dos pobres, marginalizados, miseráveis, moralmente excluídos, ao lado das mulheres e crianças. Jesus nos salva do “pré-conceito”de qualquer espécie nos mostrando que cada ser humano deve ser respeitado e nenhum deve ser excluído por ser estrangeiros, mulher, portador de deficiências ou qualquer outro motivo. Jesus chega ao ponto de dizer aos fariseus que as prostitutas os precederão no Reino dos Céus.
Por fim, Jesus nos salva da alienação. Por isso, Jesus coloca como mandamento maior amar ao próximo como a ti mesmo. Para viver isso é necessário que eu reflita o que é amar  e como expressar o meu amor em cada circunstância. Como desejo ser amado? Assim devo amar as pessoas. Amar é deixar que o outro possa se desenvolver da sua forma e não da maneira que eu gostaria que fosse. Enfim, para amar eu preciso me conhecer melhor, conhecer o outro, conhecer a lógica de nossa economia capitalista, o sistema de corrupção em nosso país, a política educacional que temos o sistema único de saúde pública, a política do governo atual, etc.
Amar ao próximo não é romantismo ou uma ideia platônica. Amar ao próximo começa com um processo sério de desalienação e termina na ação concreta, na atitude política, no posicionamento contra toda forma de exploração e a favor da vida. Isso é salvação.
Por Padre Beto
 Padre Beto é escritor, cronista e filósofo. Formado em direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em história pela Universidade do Sagrado Coração (USC) e em teologia pela Ludwig-Maximillian, de Munique (Alemanha).
Fonte: carosamigos.com.br
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quinta-feira, 2 de março de 2017

Cuidado com os biomas brasileiros é tema da Campanha da Fraternidade 2017

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Com o tema Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu hoje (1º) a Campanha da Fraternidade 2017. Segundo a CNBB, o objetivo da ação é dar ênfase à diversidade de cada bioma, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses biomas. “Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais”, disse o papa Francisco, em mensagem ao Brasil.
O papa destacou que o desafio global pela preservação, “pelo qual toda a humanidade passa”, exige o envolvimento de cada pessoa junto com a atuação da comunidade local. Para ele, os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa.
“É necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres”, argumentou o papa

Para o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, ninguém pode assistir passivamente à destruição de um bioma, por isso, o assunto não pode ser deixado de lado pela Igreja. “Há muito a ser feito por cada um espontaneamente, como mudança no padrão de consumo, cuidados com a água e com o lixo doméstico, mas necessitamos de iniciativas comunitárias, que exigem a participação do Poder Público e ações efetivas dos governos”, disse. “Precisamos de um modelo econômico que não destrua os recursos naturais".

Tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15).

Fontes: 
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-03/cuidado-com-os-biomas-brasileiros-e-tema-da-campanha-da-fraternidade-2017
http://www.campanhadafraternidade2017.com.br/
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carnaval de Cruz das Almas: breve histórico

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Segundo as pesquisas do doutor em geografia pela UFBA e professor da UNEB - Jânio Roque Barros de Castro, até a década de 1970, o carnaval de Cruz das Almas era a maior e mais importante festa em espaço público da cidade, sendo considerado como um dos mais tradicionais do interior da Bahia. Durante os dias do carnaval diversas manifestações culturais se apresentavam em praça pública, como a Marujuda, ternos diversos, burrinhas, zabumbada, bumba-meu-boi, caboclos, afoxés, rodas de samba, grupos de mascarados, blocos de índios, batucadas, pranchas e outras. 
No carnaval cruzalmense, os blocos utilizavam as “pranchas” que eram caminhões enfeitados e animados por grupos musicais; essa modalidade de carro alegórico se deslocava devagar pela praça da cidade, carregando garotas vestidas de princesas, com trajes de época ou mesmo com fantasias carnavalescas. Os carros eram ornamentados, coloridos e criativos. A cada ano optava-se por uma determinada composição estética diferente. Era comum homenagear os elementos da natureza envoltos em seres míticos, como o peixe voador, as fadas, a cigarra gigante, entre outros. 
Já o terno no passado era um tipo de bloco carnavalesco no qual um grupo de pessoas se vestia de forma igual para brincar o carnaval. O terno de Reis era ritual religioso e lúdico, enquanto que os ternos de carnaval eram práticas profanas sem conotação religiosa, a exemplo dos ternos de cão, nos quais as pessoas se pintam de preto e saiam dançando de forma irreverente pela cidade, uma prática ainda existente na festa do Senhor do Bomfim de Muritiba, no Recôncavo baiano. Dentre os ternos de Reis mais tradicionais de Cruz das Almas na década de 1950 e 1960, pode-se citar o terno da senhora Abigail (conhecida como Dona Dadinha).
Na década de 1950, um jornal local de Cruz das Almas já destacava a importância regional do tradicional carnaval nos clubes. Nessa época, não havia uma preocupação sistematizada com uma eventual concorrência assimétrica com o carnaval de Salvador, porque muitas pessoas da capital baiana se deslocavam para passar o período carnavalesco em cidades do interior, que realizavam essa festa popular, como Cachoeira e Cruz das Almas.
Castro, ainda salienta em suas pesquisas, que a partir da segunda metade da década de 1970, as manifestações lúdicas/culturais do carnaval de Cruz das Almas desapareceram, permanecendo apenas os blocos de carnaval no entorno dos trios elétricos. Dentre esses trios, se destacaram o Carbasa e o Estrelar.
No final dos anos 1980, com a extinção do carnaval, os trios resistem a reengenharia da prática festiva urbana e aparecem centralizando as práticas festivas nas micaretas (carnavais fora de época) de 1989 e 1990, promovidas pela prefeitura local, fenômeno, também existente em outras cidades da Bahia nesse período.

REFERÊNCIA:
CASTRO, Jânio Roque Barros de. Da Casa à Praça Pública - A Espetacularização das Festas Juninas no Espaço Urbano. Salvador: EDUFBA, 2012, pp. 170 e 315. 

FONTES: 
https://almanaquecruzalmense.wordpress.com/
http://www.portalcruzalmense.com.br/
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Atletiba enfrenta Globo, mas não tem jogo

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O assunto da semana no futebol brasileiro foi a decisão de Atlético-PR e Coritiba de transmitirem o clássico do Campeonato Paranaense por seus canais de Youtube e páginas do Facebook. Ambos resolveram não assinar com a RPC TV, afiliada da Rede Globo no estado. O resultado do enfrentamento foi a não realização da partida, apesar de todos os envolvidos estarem nela, incluindo milhares de torcedores.
O fosso das cotas de direitos de transmissão de futebol no Brasil vem sendo muito comentado devido ao crescente distanciamento do Corinthians e Flamengo no que recebem no Campeonato Brasileiro. Neste início do ano, a diferença dos valores repassados pelas afiliadas da Rede Globo reapareceu com maior força. Começando pela Primeira Liga, torneio que se propunha a superar os Estaduais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas que manteve a distância no valor pago ao Flamengo em relação aos outros clubes após a assinatura do contrato com os canais SporTV (Grupo Globo). Atlético-PR e Coritiba abandonaram a liga e o torneio por serem contrários a isso.
Algo parecido ocorreu na renovação do contrato para a transmissão do Campeonato Paranaense para o trinêio 2017-2019. Enquanto estaduais de visibilidade nacional semelhante, casos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, teriam recebido aumento no valor das cotas, a RPC TV teria oferecido um valor menor que no triênio anterior (R$ 1 milhão). Para se ter uma ideia, retirando Grêmio, Internacional, Brasil e Juventude, os demais clubes do Gauchão recebem R$ 1,1 milhão por temporada da RBS, também afiliada da Globo.
No caso do Furacão, bater de frente com os meios de comunicação não é novidade, especialmente durante o Paranaense. Na gestão Mario César Petraglia (2012-2014), o time jogou o torneio com o time sub-23. O motivo era que ganhava muito pouco o jogando, além de diminuir a pré-temporada do elenco principal. De saldo, testava e expunha ao mercado jovens jogadores, que viriam a subir ao time principal sem maior pressão de um torneio mais competitivo. Por outro lado, Petraglia chegou a proibir seus jogadores a darem entrevista a quem não pagava pelos direitos de transmissão, incluindo aí as rádios – meio que não tem modelo no Brasil de venda deste produto.
Modelo de negócio
Transmitir na internet não é inédito no Brasil. Algumas TVs e federações estaduais reproduzem os jogos não exibidos na TV aberta dos estaduais nestes canais, casos da Federação Alagoana de Futebol, desde o ano passado, e da Federação Paulista de Futebol, na Copinha deste ano. Além de ocorrerem transmissões de partidas de base e de jogos-treino nos canais de Youtube de clubes como Palmeiras, desde o ano passado, e São Paulo. Nestes casos, trata-se de mais um elemento de divulgação, para além de placas publicitárias e camisas (incluindo a da arbitragem para os Estaduais), para se arranjar patrocinadores ao torneio.
Atlético-PR e Coritiba exibiriam o clássico cada qual em seu canal, apostando inicialmente na atração do torcedor para a partida para poder barganhar com argumentos pela venda de seus direitos – chegou-se a mais de 80 mil pessoas assistindo a espera do jogo, por volta das 18h.
Porém, é preciso lembrar que vender jogos de futebol pela internet já existe. Casos que podemos citar de outros países do mundo são a Copa do Rei (Espanha) e a Copa América de 2015, que o Youtube exibia desde que se comprasse os jogos e/ou torneios completos para se ver por streaming – no caso da segunda, a opção era bloqueada para o Brasil, dado que o Grupo Globo compra o pacote todo de direitos, incluindo a internet. Vale lembrar ainda que o modelo de transmissão no Facebook, primeira transmissão de futebol nesta mídia no mundo, foi um dos pilares de base para o Esporte Interativo criar seu serviço de streaming (EI Plus).
Por que o jogo não ocorreu?
O que não se entende disso tudo é que a partida não tenha podido ocorrer. O entendimento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão dedicado a tratar de casos que possam infringir a livre concorrência, a partir de processo aberto em 1997 e arquivado após assinatura de Termo de Cessação de Conduta em 2010 no que tange ao Brasileiro, é que os clubes têm autonomia de vender seus direitos de imagem de forma isolada e não em associação/federação, se assim o quiserem, desde que os contratos sejam separados por meio de comunicação. Se Atlético e Coritiba não quiseram transmitir e entraram num acordo para que seus próprios canais de informação transmitissem o jogo, não haveria o que se contrariar. Lembrando ainda que a própria Globo se beneficiou disso no contrato pelos Brasileiros a partir de 2012, que simplesmente implodiram o Clube dos 13.
A justificativa oficial da Federação Paranaense de Futebol para a não realização da partida é que os jornalistas dos canais dos clubes não estavam credenciados para o jogo, assim o trio de arbitragem só o iniciaria com a saída dos repórteres do campo. Porém, sob esse argumento, isso não impediria que houvesse transmissão por câmeras situadas nas arquibancadas – como algumas pessoas fazem sem autorização em alguns torneios, ainda que aqui fosse algo oficial, pois este espaço é de quem organiza o jogo. Exibiria, mas sem reportagem e câmeras de campo.
Não houve acordo e o clássico não ocorreu, com muitos xingamentos à Globo por suposta pressão à FPF. Entretanto, ainda que os torcedores tenham comprado o ingresso para uma partida oficial, ela poderia ter havido em caráter amistoso sem qualquer problema, o que talvez aumentasse a pressão por real independência dos clubes em relação às federações (incluindo aqui a CBF) e ao principal grupo de comunicação do País. Outra alternativa, que deveria ser anterior, era ter oferecido a partida para um rival da Globo no mercado, como o SBT chegou a fazer no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, caso da guerra judicial pelo Paulista de 2003.
É importante frisar que além de ser uma política coerente com o que vêm fazendo este ano na TV – ambos assinaram para o Brasileiro a partir de 2019 na TV fechada com o Esporte Interativo/Turner –, trata-se de procurar o agente que mais valorize o seu produto, num sentido bem mercadológico disso. Se o Grupo Globo oferecesse o valor pretendido só aos dois times – e não ao Paraná, que vem ganhando com isso, por ter mais jogos transmitidos –, não haveria qualquer preocupação em enfrentá-lo; ainda que o produto seja o campeonato como um todo, quanto mais e melhor receberem todos os clubes, melhor a competitividade nas partidas e mais emoção a ser “vendida” ao torcedor.
De toda forma, são os direitos de transmissão de eventos esportivos que vêm propiciando ampla discussão sobre a estrutura do mercado comunicacional brasileiro, especialmente nos últimos 10 anos. Cada caso que aparece expõe para um público ainda maior as deficiências de devida regulação neste setor econômico e o quanto isto pode prejudicar um conjunto maior de pessoas, incluindo aí a própria expansão da mercantilização sobre o futebol.
Por: Anderson David Gomes dos Santos - professor da Universidade Federal de Alagoas, jornalista e mestre em Ciências da Comunicação e  Irlan Simões -  jornalista e pesquisador do futebol
Fonte: carosamigos.com.br
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Carta aberta sobre a obrigatoriedade da História no Ensino Médio

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A História, como disciplina escolar, integra o currículo do ensino brasileiro desde o século XIX. Sua presença, considerada fundamental para a formação da cidadania, foi gravemente ameaçada no período da Ditadura Militar, quando se deu a diluição da História na instituição dos Estudos Sociais. A Medida Provisória nº 746/16, aprovada pelo Congresso Nacional, que instaura a Reforma do Ensino Médio, comete grave equívoco ao omitir do texto legal qualquer referência à disciplina, e, principalmente, ao excluí-la da relação de componentes curriculares obrigatórios, instalando fortes incertezas sobre a presença da História nesse nível de ensino.
Não menos preocupante é o rebaixamento das exigências para o exercício da profissão docente, ao permitir a admissão de "profissionais com notório saber". Além disso, na prática, a Reforma do Ensino Médio está sendo subordinada a um documento (BNCC) que ainda não está concluído, cujo conteúdo final é desconhecido, e que está indicado como referência para a formação de professores.
Diante do exposto, a Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil, contesta a aprovação da Reforma do Ensino Médio sem consultar a sociedade, em particular, os professores. E reivindica, com muita ênfase, a clara definição da História como componente curricular obrigatório no Ensino Médio.

Atenciosamente,
Diretoria da ANPUH Brasil
P.S.: Esta carta foi enviada ao Presidente da República, ao Chefe da Casa Civil, ao Ministro da Educação, à Secretária Executiva do Ministério da Educação e ao Secretário de Educação básica do Ministério da Educação.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Aberta seleção para professores e profissionais da Educação

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A Secretaria da Educação do Estado da Bahia abriu Processo Seletivo Simplificado visando a contratação por meio do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), para as funções de professores e profissionais da Educação de nível médio e superior. As inscrições serão realizadas no período das 8h do dia 17 de fevereiro de 2017 às 23h59 do dia 3 de março de 2017, no site www.ibrae.com.br.
Os editais foram publicados, neste sábado (11), no Diário Oficial do Estado. São 519 vagas para professores da Educação Profissional e Tecnológica e 211 vagas iniciais para professor substituto da Educação Básica, sendo que durante o ano letivo o número de convocados poderá chegar até 2.243. Confira os editais lançados aqui.
A seleção engloba, ainda, 157 vagas para preceptor de estágio de Enfermagem das unidades da Educação Profissional e Tecnológica da rede estadual e mais 655 vagas da Educação Especial, destinadas a Técnicos de Atendimento Educacional Especializado, Tradutor/Intérprete de Libras, Cuidador Educacional, Braillista e Instrutor de Libras.
Fontes:
http://educadores.educacao.ba.gov.br/noticias/aberta-selecao-para-professores-e-profissionais-da-educacao
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/governo-abre-mais-de-800-vagas-para-professores-e-profissionais-da-educacao-pelo-reda/?cHash=6c44a40c37744c0f6cd9e748b3cb502c
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