O movimento do qual
Tiradentes fazia parte era anticolonialista e queria a instalação da República.
Os mineiros planejavam o fim da dominação portuguesa sobre o Brasil.
Para além do
mártir, o herói era tagarela, namorador,
teimoso, corajoso, apaixonado por livros e defensor do conhecimento.
Um homem comum, que talvez até tenha sido traído pela mulher.
Além de dentista
("tira dentes"), ele teve outras profissões, como minerador,
comerciante e alferes. Sobre a aparência física, no entanto, quase não
há relatos da época.
"Um herói sem
rosto. Sem qualquer registro ou retrato verídico, artistas e escritores criaram
suas próprias versões de como ele poderia ser", explicou o historiador
André Figueiredo Rodrigues, professor da Faculdade de Ciências e Letras de Assis
da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Com essa lacuna, ao
longo da história, a imagem de Tiradentes foi associada à figura de Jesus
Cristo. Era
preciso transformar o homem em mito e torná-lo conhecido. Segundo Rodrigues, no
final do século XIX, Angelo Agostini recebeu a missão de desenhar o alferes.
"Até aquele
momento, Tiradentes não havia sido representado visualmente. E, para se tornar
um personagem respeitado, era fundamental que visualmente ele apresentasse
barba e bigode. Para atender a esses requisitos, Agostini estudou Tiradentes,
cuja representação na época ganhava contornos religiosos, e se baseou na
pintura 'Cristo carregando a cruz', de Antoon van Dyck", explicou.
Joaquim Xavier foi enforcado no Rio de Janeiro, em 1792, por traição à coroa, quando tinha 45 anos. Esquartejado, teve as partes do corpo expostas em diferentes locais públicos de Vila Rica, atual Ouro Preto. A República só foi proclamada no Brasil em 1889.
"Desde a segunda
metade do século XIX, mais precisamente após a proclamação da República, os
aspectos de um Tiradentes passivo e humilde foram recuperados e ganharam
destaques nas artes e na literatura", relatou Borges, que é autor de um
livro sobre a construção da representação do inconfidente.
O Cristo da multidão
Os freis José Carlos de
Jesus Maria do Desterro e Raimundo da Anunciação Penaforte estiveram ao lado do
militar em seus últimos dias de vida. Os relatos da documentação oficial vinham
carregados da religiosidade desses homens, resultando em uma crescente
associação de Tiradentes a Jesus.
Entre os exemplos
citados por Borges estão uma peça do poeta Castro Alves ("Ei-lo, o
gigante da praça /O Cristo da multidão"), encenada em 1867, e um
artigo de Luiz Gama, de 1882, em que o autor traçou um paralelo entre a forca
de Tiradentes e a cruz de Jesus.
Destacar a humanidade
de Tiradentes não tira a importância que ele teve para a história do país, nem
a firmeza de seu caráter. Segundo
o historiador, nos três anos em que esteve na prisão, o militar foi submetido a
onze depoimentos. Em nenhum deles acusou qualquer companheiro, assumindo
sozinho a culpa pela revolta.
"Tiradentes foi
um homem comum como vários outros que viveram no Brasil colonial. Ele buscou,
como tantos outros, enriquecer e manter um importante patrimônio que o fizesse
viver bem e com status", definiu o historiador.
Por que dia 21 de
abril é feriado?
O dia 21 de abril é
feriado em todo o país desde 1890, homenageando o herói nacional. O Decreto nº
155-B foi publicado em janeiro daquele ano. Ele foi declarado patrono cívico da
nação brasileira no dia 9 de dezembro de 1965, com a Lei de nº 4.897, no governo
de Castello Branco.
Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/04/21/por-que-dia-21-de-abril-feriado-tiradentes.ghtml.
Acesso em 21/04/2026.
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