A
seguir consta um dos textos que obtiveram a nota máxima. Confira abaixo a
íntegra do conteúdo.
⚠️Observação: as transcrições abaixo foram fiéis aos
textos dos alunos, incluindo possíveis erros de português.
Wellington
Ribeiro, de Recife (PE)
Na
obra "Feliz aniversário, a escritora Clarice Lispector aborda, dentre
outros aspectos, a realidade de exclusão vivenciada por grande parte dos idosos
brasileiros, os quais, de acordo com a autora, só são lembrados por seus
familiares em datas comemorativas. Ao transpor o viés literário, percebe-se a
acentuação dessa problemática, a qual aborda a falta de perspectiva social
perante ao envelhecimento existente no Brasil contemporâneo. À vista desse
conceito, é ideal analisar o passado nacional e o descaso governamental como
desafios para a plena longevidade da sociedade.
Diante
desse cenário, nota-se que a dificultosa promoção de um futuro digno à terceira
idade advém de um processo de desenvolvimento nacional pautado na exclusão
socioespacial. Isso pode ser constatado, de forma evidente, pois o país, desde
o período do Brasil Colônia, foi construído por práticas violentas (como a
promulgação da Lei dos Sexagenários), as quais visavam à marginalização de
escravizados com mais de 60 anos em detrimento da inserção respeitosa dessa
parcela da população no cotidiano brasileiro. Nesse sentido, essa atitude
segregacionista mascara, há gerações, a necessidade de reverter esse revés e
naturaliza, nos dias atuais, o silenciamento desenfreado dos idosos, produzindo
culturalmente a ideia de inferioridade desse grupo. Assim, torna-se inegável o
contínuo retrocesso da nação a cerca do reconhecimento da velhice como
importante e inevitável, à medida que a manutenção de raízes históricas
degradantes existe.
Ademais,
é fundamental ressaltar que a negligência estatal perpetua a aversão social ao
inerente envelhecimento populacional. Essa questão se intensifica, na
atualidade, ao passo que o Brasil não possui uma campanha nacional concreta e
eficaz de estímulo à qualidade de vida da terceira idade. Tal panorama foi
estudado pelo pesquisador Ruy Braga, o qual, a partir de uma perspectiva
crítica voltada à realidade latino-americana, verbaliza que a ausência de um
modelo assistencial inclusivo e socialmente comprometido permite o não
reconhecimento dos idosos como integrantes ativos da sociedade. Sob essa ótica,
o posicionamento do estudioso é válido, visto que políticas públicas
ineficientes possibilitam a precarização do bem-estar da terceira idade, de
modo a qualificar essa faixa etária como pouco importante para a edificação da
nação - suprimindo o seu futuro salutar. Por isso, essa situação hostil precisa
ser revertida.
É
premente, portanto, uma medida que perpetue perspectivas positivas ao
envelhecimento populacional. Logo, cabe ao poder Executivo Federal — mais
especificamente ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — fomentar o
respeito à terceira idade. Tal ação ocorrerá por meio da criação do “Projeto
Nacional Vida Feliz”, o qual engajará debates públicos — ministra dos por
idosos —, nos 5570 municípios brasileiros, a fim de desmistificar ideai
advindos da colonização do Brasil e de protagonizar a atuação de pessoas idosas
no combate direto e frontal à marginalização sofrida por elas, culminando na
promoção da dignidade a essa parte da sociedade. Afinal, não é aceitável que,
em um país democrático, a população envelhecida seja, como denunciado por
Clarice, invisibilizada.
Disponível
em: https://g1.globo.com/educacao/enem/2025/noticia/2026/03/17/leia-redacao-nota-mil-do-enem-2025.ghtml.
Acesso em 17/03/2023.
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