Nesta reportagem,
entenda:
O que é uma bomba
atômica?
O que significa o “235”
ao lado do urânio usado nas bombas?
O que é enriquecimento
de urânio?
Por que usam urânio
e/ou plutônio?
Por que a bomba é tão
devastadora? Quais os efeitos?
É a bomba mais
poderosa do mundo?
Por meio de ataques
estratégicos, o governo americano, de Donald Trump, e o israelense, de Benjamin
Netanyahu, tentam neutralizar as usinas de Teerã, alegando que o regime já
deteria matéria-prima e tecnologia de mísseis suficientes para produzir e lançar
uma bomba atômica.
A Defesa do Irã: O governo iraniano nega qualquer
intenção militar, sustentando que suas pesquisas e instalações servem apenas
para fins pacíficos, como a produção de energia e avanços na medicina.
O Risco Global: Analistas alertam que essa
tensão pode gerar uma "corrida por armas" na região. Até agora,
nenhum artefato nuclear foi de fato utilizado nos combates.
🔴O
que é uma bomba atômica?
A bomba atômica
"convencional" (como as lançadas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão,
na II Guerra Mundial) funciona a partir de um processo chamado fissão
nuclear.
Toda matéria é feita de
átomos, que possuem um núcleo composto por prótons e nêutrons.
Normalmente, os núcleos
são estáveis. Mas alguns elementos específicos muito pesados, como o
urânio, apresentam um equilíbrio mais frágil.
Se o núcleo do
urânio-235, por exemplo, recebe um nêutron a mais, já fica desbalanceado e se quebra de repente, em duas
ou mais partes menores.
"O princípio é
quebrar núcleos atômicos e usar a energia resultante dessa quebra para a
explosão", explica Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb
Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Esses três nêutrons
atingem outros núcleos de átomos de urânio “vizinhos”. Cada um vai sofrer o mesmo processo
(dividir-se em elementos mais leves, produzir energia e liberar 3 nêutrons).
É como uma fileira de
dominós sendo derrubada: gera uma reação em cadeia descontrolada.
“A bomba atômica está
baseada em juntar tanto urânio-235 que essas reações ficam incontroláveis e
geram muita energia”, afirma Tessler.
Atenção: Na natureza, o U-235 sofre decaimento
ao longo do tempo. Mas isso ocorre de forma lenta e não gera uma reação em
cadeia.
🔴O
que significa o “235” ao lado do urânio usado nas bombas?
235 é o número da massa
do urânio. Vamos revisar alguns conceitos de química aprendidos na escola:
Massa = nº de prótons +
nº de nêutrons
Todo átomo de urânio vai
ter 92 prótons.
Mas há variação no
número de nêutrons.
O urânio-235, por
exemplo, que é o usado para fabricar bombas, tem 92 prótons e 143 nêutrons (92
+ 143 = 235).
Só que ele compõe uma
fração muito pequena do urânio natural (só 0,72%).
A maior parte do urânio
natural encontrado em rochas é formada por urânio-238 (92 prótons + 146
nêutrons = 238).
Por que é importante
saber essa diferença? É
que, para alimentar reatores nucleares ou fabricar bombas atômicas, o desafio
dos cientistas é separar o urânio-235 do resto. Esse é um processo caro e
demorado.
🔴O
que é enriquecimento de urânio?
Enriquecer urânio
é aumentar a proporção do urânio-235 em relação ao urânio-238.
Para isso, é necessário separar
o 235 do restante.
O processo costuma
ocorrer de forma mais eficiente nas chamadas ultracentrífugas.
Como isso acontece?
O urânio natural é
transformado em gás e entra em um tubo, que gira a altíssima velocidade.
Por causa da força
centrífuga, esse gás roda – o urânio-238, que é mais pesado, vai para as
bordas, e o 235, que é o usado na bomba, fica no miolo e pode ser separado.
O que representava só
0,72% do total vai a uma concentração muito mais alta. Se for de mais de 85% ou de 90%, já
estará no nível suficiente para produzir uma bomba nuclear.
André Scarpinati
Luchetti, do Instituto de Química da Unesp Araraquara, faz uma comparação com
as centrífugas de laboratórios médicos, que giram tubos de ensaio com amostras
de sangue.
"Essas máquinas
separam o nosso sangue: os glóbulos vermelhos, que são mais densos, vão para o
fundo, enquanto o plasma, menos denso, fica por cima. O enriquecimento em
ultracentrífugas segue esse princípio, mas em uma versão muito mais potente.”
Importante: O “esforço” necessário para enriquecer
o urânio-235 de 0,72% para 20% é muito maior do que o exigido para elevar de
20% para 90%. Por isso, há o temor de que países com estoque dessa substância
atinjam muito rapidamente o potencial necessário para criar a bomba. Veja
o infográfico abaixo.
Por que usam urânio
e/ou plutônio?
Ambos são materiais
físseis. Outros núcleos até podem sofrer fissão, mas não têm a disponibilidade,
a estabilidade e/ou as propriedades nucleares adequadas.
Um material físsil é
aquele que:
é “quebrado” ao absorver
um nêutron;
libera energia e mais
nêutrons;
consegue sustentar a
reação em cadeia.
Os dois principais
materiais físseis viáveis para armas são:
Urânio-235 - Existe na natureza (representa
0,72% da composição do urânio natural), mas precisa ser enriquecido.
Plutônio-239 - É produzido artificialmente
dentro de reatores nucleares.
Apesar de o plutônio ser
mais eficiente na fissão nuclear e exigir uma quantidade menor de material para
fabricar uma bomba, ele oferece mais riscos de acidentes.
Como apresenta uma maior
taxa de fissão espontânea, exige um sistema de implosão muito mais
sofisticado, com sincronização extremamente precisa, para que a reação ocorra
no momento planejado, e não “sem querer”.
Exemplos: A bomba de
Hiroshima era de urânio-235, e a de Nagasaki, de plutônio-239.
🔴Por
que a bomba atômica é tão devastadora? Quais os efeitos?
Para se ter uma ideia do
poder de uma bomba, veja a comparação a seguir:
1 kg de TNT libera
aproximadamente 4 × 10⁶ joules
1 kg de urânio
totalmente convertido em energia liberaria cerca de 9 × 10¹⁶ joules (a
eficiência real costuma ser menor)
conclusão: o urânio gera
20 bilhões de vezes mais energia que uma dinamite por quilo.
A bomba lançada sobre
Hiroshima, por exemplo, teve potência equivalente a cerca de 15 mil toneladas
de TNT.
Os estragos são
gigantescos, porque:
a energia é liberada
em frações de segundo;
o calor aquece o
ar instantaneamente;
o ar
superaquecido expande-se de forma violenta.
Resultados:
Forma-se uma onda
de choque devastadora, capaz de destruir prédios e pontes, “empurrando”
tudo o que existe pela frente.
A radiação
térmica (o tipo de calor que sentimos ao aproximar a mão de uma
churrasqueira ligada, por exemplo, mas em proporções bem maiores) mata quem
estiver por perto e causa queimaduras (internas, de órgãos que ficam
superaquecidos e param de funcionar, e externas) em quem estiver distante.
A radiação
ionizante pode alterar o DNA dos seres vivos e gerar câncer (os
efeitos permanecem também a longo prazo na região).
“O que acontece é uma
grande onda de choque quente que incendeia e esparrama tudo. Pedaços dos
tecidos biológicos (queimados) puderam ser encontrados nas regiões mais
próximas dos epicentros de Hiroshima e Nagasaki”, conta Luchetti.
🔴É
a bomba mais poderosa do mundo?
Não. A chamada
bomba de hidrogênio (ou bomba termonuclear) é mais potente.
Enquanto a bomba atômica
tradicional funciona por fissão (quebra de núcleos pesados), a bomba
termonuclear combina fissão e fusão (união de núcleos leves para formar um
núcleo mais pesado).
“Normalmente, envolve
isótopos [átomos com o mesmo número de prótons e diferente número de nêutrons]
do hidrogênio que se fundem para formar hélio. É um processo semelhante ao que
ocorre no interior do Sol”, explica André Luchetti.
Como a fusão libera
ainda mais energia do que a fissão, essas bombas de hidrogênio são
significativamente mais destrutivas.
🔴Do
que um país precisa para fabricar uma bomba atômica?
Não basta dispor de
urânio-235 ou de plutônio-239. Um país necessita de:
instalações de
enriquecimento de urânio (como
as ultracentrífugas explicadas mais acima) ou reatores capazes de produzir
plutônio;
sistemas de blindagem
e de manipulação de material radioativo;
especialistas em física nuclear, modelagem
computacional e engenharia de materiais, por exemplo;
armas nucleares
fabricadas com precisão,
com sistemas de sincronização e de detonação;
“sistema de entrega”
com mísseis balísticos, aviões ou submarinos nucleares.
É importante lembrar que
é uma decisão política de altíssimo risco, que representa o rompimento de
tratados internacionais. Ou seja: além da tragédia humanitária de enorme
proporção, ainda leva a sanções econômicas e a isolamento diplomático.
Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/03/06/como-funciona-uma-bomba-atomica-qualquer-uranio-serve-para-fabrica-la-veja-perguntas-e-respostas.ghtml.
Acesso em 07/03/2026.
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