COLÉGIO ESTADUAL PROFESSOR EDGARD SANTOS, DESENVOLVE CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE ABSORVENTES HIGIÊNICOS


O Colégio Estadual Professor Edgard Santos (CEPES), localizado na cidade de Governador Mangabeira (BA), está desenvolvendo a campanha CEPES POR ELAS: DIGNIDADE MENSTRUAL É UM DIREITO, objetivando arrecadar absorventes higiênicos para doação a comunidade escolar feminina. A campanha teve início no dia 09 deste mês e vai até 09 de julho de 2021, sendo que o ponto de arrecadação é no prédio do CEPES, das 08 às 12 e das 13 às 17 horas. Também, caso alguma pessoa queira fazer doação em dinheiro, deve entrar em contato com o Colégio, através do número (75)3638-2263, que será informado a identificação da PIX para transferência.

Segundo a professora Divanise Vieira, uma das idealizadoras da campanha, a iniciativa surgiu a partir de uma reflexão acerca das dificuldades que muitas famílias estão passando durante a pandemia do coronavírus, principalmente aquelas de baixa renda, situação agravada como o aumento do desemprego no país. Nesse contexto, a intenção é fazer a campanha de arrecadação destes absorventes femininos de forma mais abrangente, pois antes da crise sanitária, já havia uma mobilização de professoras e equipe diretiva que faziam essas doações e deixavam disponíveis na secretaria para serem entregues as meninas que eram surpreendidas com a chegada da menstruação no ambiente escolar, e também para atender àquelas que devido à questão econômica, não tinham acesso sempre que necessário, como observado no Relatório da UNFPA o custo dos absorventes ainda é relativamente alto, para um produto que é item básico de uso mensal na vida de todas as meninas e mulheres por muitos anos.

Vieira, ainda destaca que. segundo informações do site do UNICEF no Brasil, dia 28 de maio é celebrado o Dia Internacional da Dignidade Menstrual. Este Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram um relatório que traça um panorama alarmante da realidade menstrual vivida por meninas brasileiras. De acordo com o estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

O relatório da UNFPA/UNICEF traz dados de pesquisas de 2013 a 2018 que demonstram os impactos na vida educacional, profissional e social causados na vida de muitas destas meninas marcadas pelas históricas desigualdades de gênero, raça, região e classe social E em razão do agravamento das desigualdades diante dessa crise sanitária e econômica que estamos vivenciando muitas famílias precisam optar entre o alimento ou demais gastos, a exemplo do absorvente que passa a ser um item de luxo, pois quem não tem dinheiro precisa improvisar, colocando em risco a própria saúde.

Outro problema que é preciso destacar e´ que a substituição dos absorventes, os improvisos geram desconfortos, medos, constrangimentos tensões que não são apenas hormonais. É uma realidade muito difícil, solitária muitas vezes para muitas meninas, pois existem muito tabus em torno dessa temática que provocam sofrimentos emocionais. Segundo a representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant, a ausência de condições sanitárias mínimas para que as pessoas possam gerenciar sua menstruação é uma violação de direitos humanos e uma condição que distancia o país do alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como o ODS 3, relacionado à saúde e ao bem-estar. “A menstruação é uma condição perfeitamente natural que deve ser mais seriamente encarada pelo poder público e as políticas de saúde. Quando não permitimos que uma menina possa passar por esse período de forma adequada, estamos violando sua dignidade. É urgente discutir meios de garantir a saúde menstrual, com a construção de políticas públicas eficazes, com a distribuição gratuita de absorventes, com uma educação abrangente para que as meninas também conheçam seu corpo e o que acontece com ele durante o ciclo menstrual. É o básico a ser feito para que ninguém fique para trás”. O direito ao uso de absorventes é uma questão de dignidade feminina.

No período menstrual muitas meninas deixam de ir a escola, de sair, ir à rua e de realizar tantas outras atividades. A Falta de acesso aos direitos menstruais, consequência das desigualdades que existe em nosso País “representam uma barreira, um entrave ao pleno desenvolvimento do potencial de pessoas que menstruam” diz o Relatório. Por essa razão se faz necessário falar do assunto, e faz-se urgente entender a importância destes itens básicos de higiene feminina.

A partir da leitura deste relatório e de uma conversa com uma colega, a professora Denise Rocha, refletimos sobre as dificuldades de muitas famílias nessa pandemia, a situação de desemprego e dificuldades que muitas devem estar atravessando que surgiu a ideia de fazer a campanha de arrecadação destes absorvente femininos de forma mais abrangente, pois antes da crise sanitária, já havia uma mobilização de professoras e equipe diretiva que faziam essas doações e deixavam disponíveis na secretaria para serem entregues as meninas que eram surpreendidas com a chegada da menstruação no ambiente escolar, e também para atender àquelas que devido à questão econômica, não tinham acesso sempre que necessário, como observado no Relatório da UNFPA o custo dos absorventes ainda é relativamente alto, para um produto que é item básico de uso mensal na vida de todas as meninas e mulheres por muitos anos.

Ainda, segundo a professor Divanise Vieira, como estamos desenvolvendo na escola um Projeto em Atividades Curriculares Complementares - ACC sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS para agenda 2030 e que traz como tema: Sob Meu Olhar - Retratos da Realidade, pensei em trazer essa campanha para o projeto por que além de ter como objetivo principal arrecadar absorventes femininos para doação na escola tem como proposta fazer um chamamento sobre essa perspectiva do olhar para um problema que ainda é invisível na sociedade. Os direitos menstruais que é retratado no relatório da UNICEF que é ”fundamental para perseguir os compromissos da CIPD( Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento e dos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável ) e contribuir para a promoção da saúde e dos direitos sexuais e reprodutivos, do direito à água e saneamento, da equidade de gênero e da autonomia corporal, condições para que todas as pessoas que menstruam desenvolvam seu pleno potencial.” 

Referência 

UNICEF/UNFPA Pobreza Menstrual no Brasil – Desigualdade e violações de direitos. maio 2021. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/relatorios/pobreza-menstrual-no-brasil-desigualdade-eviolacoes-de-direitos

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