Com uma rica e conceituada produção historiogrĆ”fica, em 2001, a historiadora Elizabete Rodrigues da Silva, natural da cidade de Governador Mangabeira, defendeu sua dissertação de Mestrado pela UFBA com o tĆtulo: FAZER CHARUTOS: UMA ATIVIDADE FEMININA. Utilizando-se de diversas fontes históricas, em especial as fontes orais, a pesquisadora discute o cotidiano feminino na produção de charutos na primeira metade do sĆ©culo XX em cidades do RecĆ“ncavo baiano como Muritiba, SĆ£o FĆ©lix, Cachoeira e Maragogipe, alĆ©m da Vila de CabeƧas (atual municĆpio de Governador Mangabeira).
Com um olhar histórico
fundamentado na concepção teórica da História das Mulheres, a autora em seu estudo visa “desvelar os
papéis históricos das mulheres charuteiras, a partir de suas estratégias de
sobrevivĆŖncia que, ao lutar para vencer as necessidades materiais, a
exploração' no/do trabalho e a discriminação sexual, assim como a
invisibilidade social.”. (SILVA, 2001, p. 11).
A dissertação, oferece uma
significativa contribuição para um novo olhar acerca da escrita da história,
desvinculada das abordagens tradicionais do fazer histórico, mas fundamentada
em uma “Nova História”, concepção historiogrĆ”fica que prioriza os estudos voltados para temas como gĆŖnero,
sexualidade, cotidiano, lazer, festas, famĆlia, religiosidade, trabalho, cultura
e outros, tornando visĆveis atores sociais atĆ© entĆ£o excluĆdos pela história, a
exemplo das charuteiras, ou seja, “aquelas que nĆ£o tiveram vez nem voz, nem
puderam escrever as suas próprias histórias. Dar vozes aos "excluĆdos da
história" é, portanto, implementar uma ação democratizadora da própria
história,”. (SILVA, 2001, P. 11)
Silva, definitivamente nos
oferece uma narrativa que abandona a ideia de uma passado morto, sem relevância
para mulheres e homens do presente e, nos aproxima de uma valiosa abordagem na
relação presente/passado, sustentada por uma problematização estabelecida pelos
dias atuais e que prioriza a participação popular na história.
Orientada pela doutora Lina
Maria BrandĆ£o de Aras, a dissertação estĆ” estruturada em trĆŖs capĆtulos: 1Āŗ - RECĆNCAVO
FUMAGEIRO: PALCO DE UMA FISIONOMIA SOCIAL E CULTURAL. 2Āŗ - SER MULHER. 3Āŗ - UMA INCURSĆO PELO COTIDIANO
DAS CHARUTEIRAS. O texto completo pode ser encontrado no seguinte endereƧo eletrƓnico:
Com a mesma maestria e
qualidade historiogrÔfica da dissertação, em 2011, a historiadora Elizabete
Rodrigues da Silva, resolveu ampliar o estudo acerca da atividade feminina na
fabricação de charutos, defendendo sua tese de doutorado na UFBA como o tĆtulo:
AS MULHERES NO TRABALHO E O TRABALHO DAS MULHERES: UM ESTUDO SOBRE AS
TRABALHADORAS FUMAGEIRAS DO RECĆNCAVO BAIANO, objetivando “estudar, no Ć¢mbito
da história, a presença das mulheres trabalhadoras no contexto industrial
fumageiro do RecĆ“ncavo baiano, no perĆodo que circunscreve a primeira metade do
sĆ©culo XX”. (SILVA, 2011, p. 10).
Através da orientação da
mesma professora do mestrado e fundamentada na vertente historiogrÔfica das relações de gênero no trabalho, a mencionada tese estÔ dividida em cinco
capĆtulos: 1Āŗ - REDESENHANDO O CENĆRIO DO TRABALHO E DAS TRABALHADORAS
FUMAGEIRAS. 2Āŗ - AS MULHERES FUMAGEIRAS E SUAS HERANĆAS SOCIOCULTURAIS. 3Āŗ - AS
MULHERES FUMAGEIRAS E SEUS LUGARES NO TRABALHO FABRIL. 4Āŗ - A RESISTĆNCIA
INVENTIVA DAS TRABALHADORAS FUMAGEIRAS. 5Āŗ - O TRABALHO EM DOMICĆLIO DAS MULHERES
FUMAGEIRAS. O texto na integra estĆ” disponĆvel no seguinte endereƧo eletrĆ“nico:
“Parabenizo a professora
Elizabete Rodrigues da Silva pela sua valiosa e significativa produção historiogrÔfica,
sem dúvidas trabalhos enriquecedores no universo acadêmico na Ôrea de gênero do
Brasil, demonstrando seu compromisso com uma escrita da histórica voltada para
temas do cotidiano e vinculados a regiĆ£o do RecĆ“ncavo baiano, tornado visĆveis personagens
históricos atĆ© entĆ£o subjugados pela história tradicional. ParabĆ©ns colega “Betinha”,
como a chamamos lÔ no CEPES, sua produção acadêmica lhe credencia a ser
titulada como uma das melhores historiadoras do Brasil.
Elizabete
Rodrigues da Silva: graduada em História pela Universidade do
Estado da Bahia-UNEB (1998), Mestre em História pela Universidade Federal da
Bahia-UFBA (2001) e Doutora em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres,
GĆŖnero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia-UFBA/NEIM (2010).
Atualmente é professora titular da Secretaria de Educação do Estado da Bahia
(ColƩgio Estadual Professor Edgard Santos - CEPES); Professora e Coordenadora
do Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente da
Faculdade Maria Milza - FAMAM; atuou como Professora Pesquisadora I do
PARFOR/UFRB. Tem experiência na Ôrea de História e Estudos de Gênero, com
ênfase em História Regional do Brasil, atuando principalmente nos seguintes
temas: gĆŖnero, trabalho, cotidiano e resistĆŖncia.
Fontes:
Plataforma Lattes CNPQ. CurrĆculo Lattes. DisponĆvel em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do.
Acesso em: 01/07/2018.
SILVA, Elizabete
Rodrigues. Fazer Charutos: Uma Atividade
Feminina. Dissertação de Mestrado. Salvador: UFBA, 2001. DisponĆvel em: https://ppgh.ufba.br/sites/ppgh.ufba.br/files/2001._silva_elizabete_rodrigues_da._fazer_charutos_uma_atividade_feminina.pdf.
Acesso em: 01/07/2018.
_____. As Mulheres no Trabalho e o Trabalho das
Mulheres: Um Estudo sobre as Trabalhadoras Fumageiras do RecĆ“ncavo Baiano. Tese de Doutorado. Salvador: UFBA, 2011. DisponĆvel em: http://www.repositorio.ufba.br:8080/ri/bitstream/ri/6381/1/TESE.pdf.
Acesso em: 01/07/2018.




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