terça-feira, 3 de julho de 2018

FAZER CHARUTOS: UMA ATIVIDADE FEMININA




Com uma rica e conceituada produção historiográfica, em 2001, a historiadora Elizabete Rodrigues da Silva, natural da cidade de Governador Mangabeira, defendeu sua dissertação de Mestrado pela UFBA com o título: FAZER CHARUTOS: UMA ATIVIDADE FEMININA. Utilizando-se de diversas fontes históricas, em especial as fontes orais, a pesquisadora discute o cotidiano feminino na produção de charutos na primeira metade do século XX em cidades do Recôncavo baiano como Muritiba, São Félix, Cachoeira e Maragogipe, além da Vila de Cabeças (atual município de Governador Mangabeira).
Com um olhar histórico fundamentado na concepção teórica da História das Mulheres, a autora em seu estudo visa “desvelar os papéis históricos das mulheres charuteiras, a partir de suas estratégias de sobrevivência que, ao lutar para vencer as necessidades materiais, a exploração' no/do trabalho e a discriminação sexual, assim como a invisibilidade social.”. (SILVA, 2001, p. 11).
A dissertação, oferece uma significativa contribuição para um novo olhar acerca da escrita da história, desvinculada das abordagens tradicionais do fazer histórico, mas fundamentada em uma “Nova História”, concepção historiográfica que prioriza os estudos voltados para temas como gênero, sexualidade, cotidiano, lazer, festas, família, religiosidade, trabalho, cultura e outros, tornando visíveis atores sociais até então excluídos pela história, a exemplo das charuteiras, ou seja, “aquelas que não tiveram vez nem voz, nem puderam escrever as suas próprias histórias. Dar vozes aos "excluídos da história" é, portanto, implementar uma ação democratizadora da própria história,”. (SILVA, 2001, P. 11)
Silva, definitivamente nos oferece uma narrativa que abandona a ideia de uma passado morto, sem relevância para mulheres e homens do presente e, nos aproxima de uma valiosa abordagem na relação presente/passado, sustentada por uma problematização estabelecida pelos dias atuais e que prioriza a participação popular na história.
Orientada pela doutora Lina Maria Brandão de Aras, a dissertação está estruturada em três capítulos: 1º - RECÔNCAVO FUMAGEIRO: PALCO DE UMA FISIONOMIA SOCIAL E CULTURAL. 2º -  SER MULHER. 3º - UMA INCURSÃO PELO COTIDIANO DAS CHARUTEIRAS. O texto completo pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico:
Com a mesma maestria e qualidade historiográfica da dissertação, em 2011, a historiadora Elizabete Rodrigues da Silva, resolveu ampliar o estudo acerca da atividade feminina na fabricação de charutos, defendendo sua tese de doutorado na UFBA como o título: AS MULHERES NO TRABALHO E O TRABALHO DAS MULHERES: UM ESTUDO SOBRE AS TRABALHADORAS FUMAGEIRAS DO RECÔNCAVO BAIANO, objetivando “estudar, no âmbito da história, a presença das mulheres trabalhadoras no contexto industrial fumageiro do Recôncavo baiano, no período que circunscreve a primeira metade do século XX”. (SILVA, 2011, p. 10).
Através da orientação da mesma professora do mestrado e fundamentada na vertente historiográfica das relações de gênero no trabalho, a mencionada tese está dividida em cinco capítulos: 1º - REDESENHANDO O CENÁRIO DO TRABALHO E DAS TRABALHADORAS FUMAGEIRAS. 2º - AS MULHERES FUMAGEIRAS E SUAS HERANÇAS SOCIOCULTURAIS. 3º - AS MULHERES FUMAGEIRAS E SEUS LUGARES NO TRABALHO FABRIL. 4º - A RESISTÊNCIA INVENTIVA DAS TRABALHADORAS FUMAGEIRAS. 5º - O TRABALHO EM DOMICÍLIO DAS MULHERES FUMAGEIRAS. O texto na integra está disponível no seguinte endereço eletrônico:
“Parabenizo a professora Elizabete Rodrigues da Silva pela sua valiosa e significativa produção historiográfica, sem dúvidas trabalhos enriquecedores no universo acadêmico na área de gênero do Brasil, demonstrando seu compromisso com uma escrita da histórica voltada para temas do cotidiano e vinculados a região do Recôncavo baiano, tornado visíveis personagens históricos até então subjugados pela história tradicional. Parabéns colega “Betinha”, como a chamamos lá no CEPES, sua produção acadêmica lhe credencia a ser titulada como uma das melhores historiadoras do Brasil.   
Elizabete Rodrigues da Silva: graduada em História pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB (1998), Mestre em História pela Universidade Federal da Bahia-UFBA (2001) e Doutora em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia-UFBA/NEIM (2010). Atualmente é professora titular da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (Colégio Estadual Professor Edgard Santos - CEPES); Professora e Coordenadora do Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente da Faculdade Maria Milza - FAMAM; atuou como Professora Pesquisadora I do PARFOR/UFRB. Tem experiência na área de História e Estudos de Gênero, com ênfase em História Regional do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: gênero, trabalho, cotidiano e resistência.
Fontes:
Plataforma Lattes CNPQ. Currículo Lattes. Disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do. Acesso em: 01/07/2018.
SILVA, Elizabete Rodrigues. Fazer Charutos: Uma Atividade Feminina. Dissertação de Mestrado. Salvador: UFBA, 2001. Disponível em: https://ppgh.ufba.br/sites/ppgh.ufba.br/files/2001._silva_elizabete_rodrigues_da._fazer_charutos_uma_atividade_feminina.pdf. Acesso em: 01/07/2018.
_____. As Mulheres no Trabalho e o Trabalho das Mulheres: Um Estudo sobre as Trabalhadoras Fumageiras do Recôncavo Baiano. Tese de Doutorado. Salvador: UFBA, 2011. Disponível em: http://www.repositorio.ufba.br:8080/ri/bitstream/ri/6381/1/TESE.pdf. Acesso em: 01/07/2018.
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