sábado, 1 de julho de 2017

O dois de julho na Bahia: breve histórico

A data de 02 de julho para nós baianos é muito importante, pois comemoramos a independência da Bahia, nosso querido Estado, e por certo podemos afirmar que foi "o dia em que o povo ganhou", pois a participação popular foi fundamental para que as tropas de Madeira de Mello fossem derrotadas. Falar do dois de julho, é mencionar a participação popular em todos os sentidos, é pensar na mais pura visão de liberdade, democracia e justiça social. Além disso, sem a luta do povo baiano não se teria efetivado a Independência do Brasil, uma vez que não foi o simples grito do Ipiranga que tornou nosso povo livre, porém através da luta e o sangue derramado de muitos baianos aconteceu de fato a consolidação da independência do Brasil. 
O sentimento de liberdade na Bahia esteve presente muito antes do dois de julho de 1823, principalmente no movimento conhecido como Conjuração Baiana (1798), liderado pelos negros Lucas Dantas, Manoel Faustino, João de Deus e Luiz Gonzaga das Virgens, ambos enforcados em Praça Pública. Recentemente os mesmos foram reconhecidos como heróis nacionais. O movimento desejava melhores condições de vida para o povo baiano e o fim da escravidão. Nessa época a maioria da população era marginalizada dos benefícios do poder público, daí a necessidade de se rebelar contra a ordem imposta por Portugal.
A vontade popular em se libertar de Portugal era grande, porém a elite agrária com medo que o povo tomasse o poder resolveu usar D. Pedro para comandar o processo de independência, fato que aconteceu em sete de setembro de 1822, diga de passagem sem a participação popular e sem concretizar avanços sociais, a exemplo disso foi a manutenção da escravidão. Porém foi na Bahia que a participação popular teve um maior significado, com intuito de expulsar as tropas portuguesas do nosso território. Aliás é um erro considerarmos D. Pedro como herói, aspecto que infelizmente ainda é trabalhado em algumas escolas, pois com ou sem ele a independência aconteceria. Na verdade ele foi usado pela elite dominante, que temia as rebeliões populares, principalmente as de origem escrava.
A insatisfação do povo baiano com Portugal teve seu apogeu antes do sete de setembro, quando no dia 31 de janeiro de 1822 a Câmara de Vereadores de Salvador elegeu uma nova junta militar para comandar a província, porém dias depois chegou de Portugal o decreto que nomeava o brigadeiro Inácio Luiz Madeira de Melo como novo governador da Bahia, fato que revoltou todas as camadas populares baiana.  
No dia 19 de fevereiro de 1822, Madeira de Melo invadiu a cidade de Salvador controlando os quartéis e os fortes. Nesta data aconteceu a morte da freira Joana Angélica, quando tentou impedir a entrada das tropas portuguesas no Convento da Lapa, a transformando em  Mártir da Independência da Bahia. A ocupação militar de Madeira de Mello visava fortalecer os laços entre a Bahia e Portugal, aumentando o número de soldados e a rigidez administrativa, contribuindo para a fuga de muitas famílias para cidades do Recôncavo, a exemplo de Cachoeira, Santo Amaro, Maragojipe e Nazaré das Farinhas.
Devido a importância econômica do Recôncavo, com destaque para a cidade de Cachoeira, Madeira de Mello resolveu invadir a cidade, porém foi derrotado pelas tropas do exército brasileiro e principalmente pela luta do povo cachoeirano no dia 25 de junho de 1822, data que atualmente o governo do Estado transfere sua sede para Cachoeira, realizando diversas atividades comemorativas e festivas.
A participação de Cachoeira na independência da Bahia tem um forte significado, pois o povo daquela cidade disse não a forma ditatorial de governar dos portugueses. Esse simbolismo ainda é maior quando lembramos da figura de Maria Quitéria, filha de fazendeiros de Feira de Santana, que na época pertencia ao município de Cachoeira, lutou na guerra disfarçada de homem aos 30 anos de idade, alistada com o nome de soldado Medeiros, fato que levou D. Pedro I a lhe conceder uma medalha de honra da Imperial Ordem do Cruzeiro, no Rio de Janeiro.
Além de Joana Angélica e Maria Quitéria, outra mulher se destacou nesse processo, trata-se de Maria Filipa - negra, natural da ilha de Itaparica, Maria Felipa comandou cerca de 40 mulheres na luta pela independência da Bahia. Segundo relatos históricos, o grupo liderado por ela foi responsável por queimar 42 embarcações portuguesas.Há também o episódio lendário da surra de cansanção que Maria Felipa teria dado em homens portugueses.
Em novembro de 1822, Madeira de Melo tentou controlar a área de Pirajá, mas suas tropas foram vencidas pelo Exército Brasileiro sobre o comando do general José Joaquim de Lima e Silva, que substituiu o general Labatut, porém as tropas portuguesas ainda permaneceram em outras áreas da cidade, sendo derrotadas finalmente no dia dois de julho de 1823, selando o fim da dominação portuguesa sobre a Bahia.
O dois de julho ficou como data patriótica dos baianos, desde então estabeleceram a tradição de comemorá-lo  anualmente, com festas, desfiles, mais tarde acrescentaram as figuras do caboclo e da cabocla, que representam o povo e o índio brasileiro, além da figura feminina e da liberdade sob a forma da índia Catarina Paraguaçu”.
Ao longo do tempo as comemorações pelo dois de julho foram se efetivando em diversas cidades da Bahia. Na cidade de Governador Mangabeira, tudo começou com os moradores da rua Dois de Julho, no inicio dos anos 80, quando alguns deles resolveram estender os festejos de São João, colocando uma mesa no meio da rua com comidas e bebidas típicas dessa época, onde todo mundo se servia de forma gratuita, a maior preocupação era a confraternização entre as pessoas e a manutenção de alguns laços da nossa cultura popular. Com o passar dos anos a festa foi ganhando corpo e hoje se transformou em tradição. Foram várias as pessoas que contribuíram para o surgimento dessa festa, dentre elas podemos citar: Ana, Bigu, Carlinhos, Dona Lita, Senhor Antonio, Alderiva, os filhos de Neris, dona Leleu, Luiz de Detinho e tantos outros que contribuíram para a origem dessa festa.
No inicio tudo era organizado pelos próprios moradores, com o passar do tempo, o poder público tomou para si a organização da estrutura da festa, incorporando outros elementos como desfiles, apresentações cívicas e de quadrilhas juninas. No final dos anos 90 a festa ganhou proporções gigantescas, vinculadas as grandes produções artísticas e um elevado sentido comercial e político.

Por: Luís Carlos Borges da Silva - professor de História do Colégio Estadual Professor Edgard Santos e Escola São Luís. 

HINO DO ESTADO DA BAHIA

Música: José dos Santos Barretos
Letra: Ladislau de Santos Titaro

Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro

Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações

Salve, oh! Rei das Campinas
De Cabrito a Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será

Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações



Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer



Hino ao 2 de Julho - interpretado por Tatau e orquestra Neojibá:
https://www.youtube.com/watch?v=M7gkpWjKUzk
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