quinta-feira, 29 de junho de 2017

Racismo: Manual para os sem-noção

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É muito comum, infelizmente, deturparem a luta feminista antirracista, reproduzir o senso comum e até ofensas. Por conta dessa situação, montei um pequeno manual didático. Esta é a primeira parte.
“Aceitar opiniões diferentes”
Prezado(a) branco(a), se você é palmeirense e acha que o Corinthians é pior, tudo bem, posso aceitar. Se você prefere carne cozida sem cenoura, o.k. Mas dizer que beleza é uma questão de opinião, não dá. O racismo está na base da construção do belo. Cansei de ouvir: “Nossa, você é uma negra bonita” (com ar de surpresa) ou “Você é a negra mais bonita que conheço”.
Negras, claro, são feias por natureza. Ninguém diz que uma mulher branca é uma “branca bonita”. Dizem apenas que é “bonita”. Uma negra só pode ser bonita entre outras negras. Gostam de hierarquizar nossa beleza. E a clássica “Você dá de dez a zero em muita branca por aí”? Que elogio!
“Não gostar de se relacionar com negras não tem nada a ver com racismo, ninguém manda no amor”
O amor nunca escolhe as negras. Engraçado. Segundo o IBGE, as negras são aquelas que menos se casam e formam a maioria das mães solteiras. Trabalhos acadêmicos revelam a solidão afetiva da mulher negra.
Se o racismo tem um papel preponderante na construção dos padrões de beleza, consequentemente terá na construção do desejo. Olhem as revistas. Liguem a tevê. Qual a “mulher ideal”? Quantas de nós foram preteridas pelo simples fato de ser negras? Como falar em gosto pessoal, quando a esmagadora maioria pretere mulheres negras? Como falar em “escolha do indivíduo”, quando essas escolhas não nos escolhem? Desculpem o trocadilho.
"Vocês veem racismo em tudo"
Adivinhe... O racismo é um elemento estruturante da sociedade. Foram mais de 300 anos de escravidão e medidas institucionais para impedir a mobilidade social da população negra. E você diz que agora tudo é racismo. Em que tempo histórico nasceu? Tem certeza de que é deste planeta?
Ninguém fala em racismo por ser gostoso, ou por não ter mais nada para fazer na vida. Não gostaria de bater tanto na mesma tecla, mas a sociedade não me dá outra opção. Agora, pegue a sua nave espacial e volte para o planeta do qual veio. Pois, se tivesse chegado ontem e dado uma olhada bem rápida, teria notado o racismo latente desta sociedade. Por fim, vou lá passar o meu Lancôme. Sabe como é, preciso estar linda para a próxima chuva de meteoros.
"Vocês precisam criar uma forma de unir as mulheres e não separar"
A sociedade é dividida. Como bem nos ensina Sueli Carneiro, o racismo cria uma hierarquia de gênero e coloca a mulher negra numa situação de maior vulnerabilidade social. Logo, é preciso nomear essa realidade, porque não se pensa em uma solução para um problema sequer pronunciado. Existem várias possibilidades de ser mulher e, justamente porque ela foi universalizada tendo como base a mulher branca, é preciso dizer. Não se trata de competição, mas de fatos históricos, dados de pesquisa.
Você quer destruir uma realidade impondo a sua como universal e ainda cobra formas de dialogar quando existe uma vasta bibliografia sobre o tema. Não sofremos de forma igual. A violência de gênero atinge todas as mulheres, mas atinge de forma mais grave aquelas que combinam mais de uma opressão. Se ainda insistir, reclame com o Ipea, que desenvolveu um material ótimo chamado “Dossiê das Mulheres Negras”.
"Acho as mulheres muito agressivas e violentas na hora de reivindicar"
Primeiramente, defina violência. Segundo, estamos aqui para trazer narrativas de incômodo mesmo, como diz Audre Lorde. Estamos com raiva e temos o direito de estar. Você também estaria se vivesse sob uma realidade violenta e desumana. Se rissem e te excluíssem desde a infância pelo fato de ser negra. E, por fim, não cabe ao opressor dizer ao oprimido como ele deve reagir à violência.
"Amo a cor de vocês, mulheres negras são exóticas"
Mulheres negras não são animais raros para serem consideradas exóticas. Somos, aliás, a maioria das mulheres no Brasil. Referir-se a um grupo dessa forma é colocar-se como superior. Você sabia que durante muito tempo negros e negras foram expostos em zoológicos humanos baseados nessa crença? Recomendo uma leitura sobre a Vênus de Hotentote, Sarah Baartman, exposta por ser considerada “exótica”.
Mesmo após sua morte, seus restos mortais, incluídas as partes íntimas, foram expostos até 2002 no Museu do Homem, em Paris. Trate os negros e as negras com naturalidade e não como se fossem extraterrestres, com condescendência. Faça como fazem com os brancos, sem alarde ou surpresa. Se quiser ser negra, informo: o racismo faz parte do combo.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/957/racismo-manual-para-os-sem-nocao-i
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Projeto Literatura e Problemas Sociais e Caravana do Forró do CEPES 2017.

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Com uma caminhada pelas principais ruas da cidade de Governador Mangabeira, o Colégio Estadual Professor Edgard Santos - CEPES, realizou hoje (21/06/2017) a III Caravana do Forró, quando os estudantes, professores e funcionários se divertiram dançando músicas juninas, cantadas por Ito Vilela, também arrecadando alimentos e roupas a serem distribuídos com famílias de baixa renda.
A culminância do Projeto Literatura e Problemas Sociais, aconteceu no dia 19/06 com as turmas do noturno, ao som das música do alunos e cantor Carlos Santos, já no dia 20/06 foi a vez das turma do matutino e vespertino, na oportunidade cada sala apresentou um cordel, produzido com fundamentação em um livro ou em textos relacionados a temáticas atuais, objetivando incentivar a leitura e a visão crítica entre os educandos. Vejamos os temas e suas respectivas turmas:
Eixo VI (Anexo de Quixabeira) – Cordel Espaço de São João / A Tradição do Sertão.
Eixo VI (Sede) – Seca no Nordeste.
Eixo VII (Anexo de Quixabeira) – Noite de São João / Cordel Caipira / Cordel Junino.
Eixo VII (Sede) – Festa Junina.
Primeiro AM – História do Cordel.
Primeiro BM – Orgulho Brasileiro.
Primeiro CM – Auto da Compadecida.
Primeiro DM – Uma Conversa sobre as Áfricas.
Primeiro EM– A turma ficou responsável pela ornamentação do local das apresentações.
Primeiro AV – Violência contra a Mulher.
Primeiro BV – As Vítimas Algozes.
Segundo AM – Violência contra a Mulher.
Segundo BM – Linguagens do Sertão.
Segundo CM – Brasil de Luto.
Segundo DM – Castro Alves.
Segundo AV – A Moreninha.
Terceiro AM – O Edgard de Hoje.
Terceiro BM – Dom Casmurro.
Terceiro CM – Policarpo Quaresma.
Terceiro DM – Preconceito Racial e apresentação de Casamento na Roça.
Terceiro AV – Usos e abusos do Celular.
Também, durante o evento cada turma organizou sua barraca com comidas típicas do período junino, bem como, fizeram a exposição do seu cordel.
“Externamos nosso parabéns aos estudantes, professores(as), funcionários(as) e a direção do CEPES pela realização das significativas atividades, demonstrando as concepções de cidadania e produção de conhecimento desenvolvidas na escola pública. Também, parabenizar as professoras da área de linguagens pela brilhante ideia do projeto de leitura, que culminou com a produção de excelentes cordéis”, salientou professor Borges.  


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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Colégio Edgard Santos, realiza palestra com o Professor Dr. Jânio Roque, acerca da temática Cultura Junina

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No dia 14/06/2017, aconteceu no Colégio Estadual Professor Edgard Santos - CEPES, localizado na cidade de Governador Mangabeira, uma palestra com o professor Dr. Jânio Roque Barros de Castro, acerca da temática Cultura Junina. A atividade fez parte da abertura do projeto Caravana do Forró, cujo tema desse ano é Literatura e Problemas Sociais, com culminância dia 20/06, através de apresentações de cordéis relacionados a diversos livros que os alunos realizaram a leitura e dia 21/06, caminhada por ruas da cidade enfatizando a ideia da Caravana do Forró.
Na oportunidade, o professor Jânio Roque realizou uma conceituação de Cultura Junina, bem como, elucidou as principais características vinculadas a temática. Também, respondeu as ótimas perguntas elaboradas pelos estudantes, as quais versaram sobre diversos aspectos: a origem das comidas, bebidas e roupas juninas, por que é comum tocar fogos nesse período, a origem das quadrilhas, como surgiu a tradição das pessoas saírem de casa em casa nos dias 23 e 24 de junho, as diferenças entre os tipos forró pé de serra, universitário e eletrônico e como se explica elevação das festas juninas nas cidades e sua consequente diminuição no campo.
Castro, ainda enfatizou que o São João não acabou, as tradições juninas continuam vivas, porém sofrem ressignificações a cada época. Na atualidade existe uma espetacularização dessas festas - massificação e uma concepção midiática, quando em algumas cidades se atribui uma elevada concepção mercadológica para as festividades desse período. Alertou para a necessidade de se valorizar os artistas locais durante os shows das festas juninas e que pela ótica acadêmica devemos observar as identidades que permeiam essa vertente da cultura brasileira, levando em consideração cinco dimensões espaciais dessas festas: a casa, a rua, a praça, as arenas privadas e o deslocamento transregional.
Jânio Roque Barros de Castro, possui graduação e especialização em Geografia pela Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, Mestrado em Geografia e Doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. É Professor Titular da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus V, Santo Antônio de Jesus e Coordenador do Colegiado de Geografia do DCH – UNEB – Campus V. Orienta dissertações de Mestrado, pesquisas de iniciação científica  e monografia de graduação. Chegou a desenvolver no extinto CECOM e no CEPES a função de professor da educação básica na década de 1990. É autor do livro: Da Casa à Praça Pública – espetacularização das festas juninas no espaço urbano – EDUFBA, 2012, além de diversos artigos publicados nacionalmente e no exterior.
Também, durante a atividade aconteceu uma brilhante apresentação do quarteto do forró, formado por alunos do CEPES (Jonatas, Ronaldo, Emerson e Cinho).
"Parabenizamos os professores(as), alunos(as), funcionários(as) e a direção da escola pela realização dessa relevante atividade, bem como, agradecemos ao professor Jânio Roque pela extraordinária palestra, demonstrando o valor histórico e cultural das festas juninas", salientou o professor Borges.   
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

47,85% dos óbitos no Brasil, são de Jovens

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Atlas da Violência 2017, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta segunda-feira 5, revela que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País.

O Atlas mostra também que o assassinato de jovens do sexo masculino entre 15 e 29 anos corresponde a 47,85% do total de óbitos registrados no período estudado. Nessa mesma faixa etária, em Alagoas, foram 233 mortes para cada 100 mil homens. Em Sergipe, 230 homens para 100 mil.
Embora registre 197,4 casos por 100 mil habitantes, Rio Grande do Norte foi o estado que apresentou maior aumento na taxa de homicídios de homens nesta faixa etária, 313,8 %, no período entre 2005 e 2015.
Segundo o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública acrescentou ao indicador de violência de jovens um indicador de desigualdade racial.
A partir disso, constatou-se que os jovens negros entre 12 e 29 anos estavam mais vulneráveis ao homicídio do que brancos na mesma faixa etária. Em 2012, a vulnerabilidade alcançava mais que o dobro.
Em 2013,  Espírito Santo saiu, pela primeira vez desde 1980, da lista dos cinco estados mais violentos do país, ocupando a 15ª posição nacional, em 2015. Segundo informações do Atlas, isso ganhou força devido ao Programa Estado Presente, de 2011, apesar da crise da greve dos policias militares no começo de 2017.
Fontes:
cartacapital.com.br
g1.com.br
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segunda-feira, 5 de junho de 2017

De cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras no Brasil.

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O Atlas da Violência, pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta segunda-feira (5), destaca o quanto os negros estão mais sujeitos à violência no Brasil. De 2005 a 2015, enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes negros subiu 18,2%, a mesma taxa teve queda de 12,2% entre habitantes não-negros.A estimativa é que os cidadãos negros tenham um risco 23,5% maior de sofrer assassinato em relação a outros grupos populacionais. De cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras no Brasil.Além, disso, ao observar o grupo dos 10% da população com mais risco de serem assassinados no Brasil, 78,9% dessas pessoas são negras."Não apenas temos um triste legado histórico de discriminação pela cor da pele do indivíduo, mas, do ponto de vista da violência letal, temos uma ferida aberta que veio se agravando nos últimos anos", afirma o estudo.O estado que teve a maior alta da taxa de homicídios de negros foi o Rio Grande do Norte, que registrou 331,8% de aumento, seguido por Sergipe, que teve 197,4% de aumento e Ceará, com 149,7% de aumento. Já o estado que teve maior queda da taxa de homicídios de negros foi São Paulo, onde o índice caiu 50,4%, seguido de Rio de Janeiro, com queda de 41% e Pernambuco, com queda de 18,7%.
Fonte: g1.com.br
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