quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Adeus a Dom Evaristo Arns, o Arcebispo que disse não ao Regime Militar


Faleceu hoje (14/12), aos 95 anos o  Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, símbolo da igreja progressista, defensor dos mais pobres e forte opositor a Ditadura Militar no Brasil (1964-1985). Arns nasceu em 1921 em Forquilhinha, Santa Catarina. Ingressou na Ordem Franciscana em 1939 e iniciou seus trabalhos como líder religioso em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Formou-se em teologia e filosofia em universidades brasileiras. Ordenado sacerdote em 1945, ele foi estudar na Sorbonne, em Paris, onde cursou letras, pedagogia e também defendeu seu doutorado.
Foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70. Teve uma atuação marcante na Zona Norte da cidade, região em que desenvolveu inúmeros projetos para a população de baixa renda.
Durante a ditadura militar, destacou-se por sua luta política, em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já. Ganhou projeção na militância em janeiro de 1971, logo após tornar-se arcebispo de São Paulo e denunciar a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini. No mesmo ano, apoiou Dom Hélder Câmara e Dom Waldyr Calheiros, que estavam sendo pressionados pelo regime militar.
Chegou a ter uma conversa dura com o presidente Médici. Exigiu o fim do desaparecimento de opositores ao regime e das prisões arbitrárias. Então ouviu: “O seu lugar é na igreja, na sacristia. E o nosso lugar é aqui para governar o estado”, lembrou Dom Paulo. Em 1975, que ele assumiu a frente de um protesto corajoso: o ato ecumênico por Vladimir Herzog, o jornalista de oposição morto em uma dependência militar.
Dom Paulo fundou a Comissão Justiça e Paz e patrocinou o estudo que resultou no livro "Brasil: nunca mais", que ajudou a localizar desaparecidos políticos e vítimas da repressão.
Dentro da igreja, o cardeal Arns era a seu modo inovador. Deu mais liberdade aos bispos auxiliares. Criou um clima propício ao avanço de correntes menos conservadoras do catolicismo.
A sua ligação mais forte era com os pobres. "Povo que reclama e que consegue". Com sua voz ouvida muito além das paredes da igreja, Dom Paulo nunca perdeu a determinação de lutar por um mundo mais justo. “Vou ficar com o povo, vou ficar ao lado do povo e quero ficar sempre ao lado dos que mais sofrem".
“Sem dúvidas, Dom Evaristo Arns foi um grande nome da Igreja Católica progressista, que atuou de forma contundente contra os absurdos do Regime Militar. Tive a oportunidade de ler o livro Brasil Nunca Mais, organizado por ele, um belíssimo documento que denuncia as arbitrariedades da Ditadura Militar entre 1964 a 1985. Além disso, uma grande perda para a Igreja Católica, pois seu trabalho sempre foi direcionado para os mais pobres, pregava a ideia de uma Igreja viva e preocupada com a transformação da sociedade no sentido da existência de um mundo justo e igual. Que possamos usar as práticas de Dom Evaristo como exemplos para nossas vidas”, salienta professor Borges. 
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