No Brasil, 3 em cada 4 mortes de jovens causadas por violência ou acidentes foram de negros, aponta um estudo divulgado nesta segunda-feira (25) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O dado faz
parte do 1º Informe Epidemiológico sobre a Situação da Saúde da
Juventude Brasileira: Violências e Acidentes, elaborado pela
Agenda Jovem Fiocruz e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
(EPSJV/Fiocruz), que analisou informações de 2022 e 2023.
Segundo o
levantamento, a taxa de mortalidade de jovens negros é de 227,5
por 100 mil habitantes — número 22% superior à média
dos jovens em geral (185,5/100 mil)
e quase o dobro da taxa de jovens brancos (118,1/100 mil) e
amarelos (113,1/100 mil).
Na faixa de
15 a 19 anos, a desigualdade é ainda maior: jovens negros registram 161,8
mortes por causas externas para cada 100 mil habitantes, praticamente
o dobro da taxa de jovens brancos (78,3/100 mil) e
amarelos (80,8/100 mil). Entre indígenas, 160,7/100
mil.
Causas externas
No
total, 65% das mortes de jovens de 15 a 29 anos foram resultado
de causas externas (violência ou acidentes). Na população em geral, essa
proporção é de apenas 10%.
Outro
destaque é a disparidade entre gêneros: homens jovens morrem 8 vezes
mais do que mulheres jovens em situações de violência. A faixa mais
vulnerável são os de 20 a 24 anos, com taxa de 390 óbitos por 100 mil
habitantes. Mais da metade dessas mortes ocorreu nas ruas (57,6%).
Entre as mulheres jovens, o local mais frequente foi a própria casa (34,5%).
Nos
acidentes de transporte, os homens também são maioria: representam 84%
das vítimas, e mais da metade (54%) dos óbitos envolveram
motocicletas.
Já as mortes
por intervenção policial têm peso maior na juventude: 3% dos óbitos de
jovens resultam de ações da polícia, contra 1% na população em
geral.
No RJ, o risco é maior
O estudo
indica que, nas regiões metropolitanas, o risco de morte violenta para homens
jovens é maior que o da população masculina em geral. No Rio de
Janeiro, esse risco é 50% superior.
Para as
mulheres, o cenário é inverso: jovens do sexo feminino têm risco menor de morte
por violência ou acidentes em comparação com as mulheres no total.
Nas
notificações de violência, a desigualdade aparece de forma acentuada. Entre as
mulheres jovens, a taxa de incidência de casos é 3 vezes maior que a dos homens
no estado. No RJ, a taxa chega a 1.022,3 casos por 100 mil habitantes.
Desigualdades e políticas
públicas
Bianca
Leandro, pesquisadora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio,
ressaltou a importância de compreender as desigualdades.
“É
extremamente necessário trazer dados e reflexões sobre como a violência se
apresenta de maneira distinta em relação à idade, gênero, raça e localização
geográfica. Isto ajuda a compreender como agressões e acidentes são
associados às condições de vida e trabalho das juventudes brasileiras.”
Coordenador
da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho afirmou que o tema está diretamente
ligado à falta de políticas públicas.
“O direito à vida tem sido uma bandeira dos movimentos juvenis contemporâneos, exatamente pelo fato de que a juventude tem sido o segmento bastante afetado pela violência letal. É preciso seguir apontando os dados alarmantes e, mais que isso, afetar as causas que têm a ver em como a sociedade vê os jovens e a ausência de políticas públicas que garantam a proteção dessa população”, explicou.
Fonte:
https://www.geledes.org.br/jovens-negros-sao-73-das-vitimas-de-mortes-violentas-ou-acidentes-nessa-faixa-etaria-no-brasil-diz-fiocruz/.
Acesso em 27/08/2025.
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