"Ɖ duro jogar na defesa." Foi esse o comentĆ”rio bem-humorado que Chico Buarque fez assim que terminou a primeira parte de uma entrevista feita em dois tempos, no domingo Ć  noite e na segunda-feira Ć  tarde, no seu apartamento no Leblon. O compositor se referia Ć  defesa que acabara de fazer do governo Lula.
Mas Chico Buarque não sabe, não gosta e não joga na defesa. Como no futebol, que, perto de completar 62 anos, em junho próximo, continua praticando três vezes por semana, Chico partiu logo para o ataque. Disse que o escândalo do mensalão o deixou, sim, decepcionado com o governo e é desastroso para o PT. Mas disse com ênfase ainda maior que as críticas da oposição e de parte da mídia a Lula exorbitaram tanto no tom quanto no conteúdo e são, por isso, inaceitÔveis.
Mais ainda, Chico vĆŖ o recrudescimento do preconceito de classe contra o presidente: "Como se fosse uma concessĆ£o, deixaram o Lula assumir. 'Agora sai jĆ” daĆ­, vagabundo!'. Ɖ como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a Casa Grande", diz Chico.
"Carioca", que chega hoje Ơs lojas, estƔ distante oito anos do CD anterior, "As Cidades", de 1998. No meio do caminho, o tambƩm escritor lanƧou o romance "Budapeste" (2003). Depois da Copa, ele deve retornar aos palcos apresentando o novo trabalho pelo paƭs. Veja a entrevista completa em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u60177.shtml