O Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, não escapou de seu destino. Fundado em 1966, foi palco da resistência à ditadura militar protagonizada pela classe artística e intelectual brasileira. No 18 de outubro de 2010, os personagens voltaram ao palco para mais um ato: resistir ao retrocesso dos tucanos. Com Dilma Rousseff, mestres da literatura e da música, artistas e filósofos defenderam a dignidade reconquistada, a reconstrução do Estado e a soberania nacional.
“Ɖ hora de unir nossas forƧas no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidĆ”ria e soberana”, diz o manifesto de artistas e intelectuais pela eleição de Dilma.
Estava lĆ” o arquiteto Oscar Niemeyer, com a sabedoria de quem tem um sĆ©culo de vida. Num canto do palco, Ziraldo. Ao seu lado, Hugo Carvana. Chico Buarque dominou a timidez para declarar seu apoio a Dilma, “mulher de fibra, com senso de justiƧa social”. Para o mĆŗsico, o governo Lula nĆ£o corteja os poderosos de sempre.
“Fala de igual para igual com todos. Nem fino com Washington, nem grosso com a BolĆ­via. Por isso, Ć© respeitado no mundo inteiro como nunca antes na história desse paĆ­s”, afirmou o criador de "A banda", arrancando risos da plateia.
Deixa a Dilma me levar
Alcione, Margareth Menezes e Lecy BrandĆ£o foram as primeiras a chegar. Zeca Pagodinho nĆ£o foi, mas mandou dizer que estĆ” com Dilma. Beth Carvalho empolgou e cantou: “Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu.”
O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos levou um manifesto dos advogados. Ganhou um beijo de Dilma. As ausências da economista Maria da Conceição Tavares, do filósofo Frei Betto e da psicanalista Maria Rita Kehl foram sentidas, mas suas assinaturas estavam no manifesto.
Duro, o escritor Fernando Morais bateu nas privatizaƧƵes feitas pelo PSDB. “Estou com a Dilma porque sou brasileiro e quero o Brasil nas mĆ£os dos brasileiros. Eu sou contra a privatização canibal que esses tucanos fizeram e sei o mal que o JosĆ© Serra pode fazer para o Brasil.”
Fonte: ptbahia.org.br