Destaque : (EM TEMPO) AO 13 DE MAIO: Pronunciamento do Deputado Luiz ALberto

“O DEM, Ć© o partido que milita contra as polĆ­ticas de inclusĆ£o da população negra no Brasil. O Senador Demóstenes Torres tem tomado atitudes de desequilĆ­brio emocional que revelam a sua posição ideológica racista”, disse Luiz Alberto em seu pronunciamento no dia 13 de Maio no Congresso Nacional.

Confira na íntegra o pronunciamento do deputado Federal Luiz Alberto (PT/BA) no dia em que o Brasil completou 122 anos de abolição:

Hoje Ć© um dia de combate Ć  opressĆ£o, ao racismo e Ć  violĆŖncia vivenciada pela população negra brasileira. Ɖ o dia em que vamos saudar heróis e heroĆ­nas, como em caso recente, quando o Presidente Lula homenageou um grande herói deste PaĆ­s, JoĆ£o CĆ¢ndido, e esta Casa o reconheceu, anistiando-o. Hoje seu nome estĆ” cravado num navio petroleiro da frota da Marinha brasileira.
Nesta data, vale lembrar fatos históricos que mudaram o cenÔrio da escravidão no Brasil, que não foram contados nos livros de história. Após quatro séculos de escravidão, seqüestros de africanos e africanas de diversos países do continente africano, é chegado em 1850 o fim do trÔfico negreiro.Entramos em um processo, quase inevitÔvel, de fim do trabalho escravo no País, influenciado em grande escala pela pressão internacional, especialmente da Inglaterra, e por milhares de revoltas escravas neste País, quilombos e, mais tarde, por grupos abolicionistas.Ao analisarmos o aspecto político, verificamos que após a abolição, os negros e as negras escravizados deste País vivenciaram um total descaso por parte do Estado brasileiro, que se beneficiou de quase 350 anos de escravidão.Hoje, somos a 8ª economia do planeta, mas devemos nos lembrar que dos 510 anos de nossa história, 350 foram da experiência do escravismo, o que comprometeu o País com uma enorme dívida com os descendentes de africanos e africanas.

O Brasil, hoje, debate políticas públicas para a população negra, principalmente a partir do Governo Lula, quando a política de ação afirmativa, notadamente nas Ôreas das universidades públicas federais, estaduais, com o advento das cotas, foi questionada pelos conservadores deste País.
Aqui, no Congresso Nacional, o DEM, partido que mais milita contra essas polĆ­ticas de inclusĆ£o da população negra neste PaĆ­s, foi ao Supremo Tribunal Federal, que recentemente realizou, durante 3 dias, audiĆŖncias pĆŗblicas, para ouvir opiniƵes de setores expressivos da sociedade, militantes do movimento negro, academia e pesquisadores, e que, com certeza absoluta, Sr. Presidente, influenciaram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, que irĆ£o tomar uma decisĆ£o em relação Ć  constitucionalidade das cotas.Esse mesmo DEM, partido de direita, conservador, bateu novamente Ć  porta do Supremo Tribunal Federal, para questionar o Decreto nĀŗ 4.887, de 2003, do Presidente da RepĆŗblica, que estabeleceu um marco legal, garantindo as polĆ­ticas para as comunidades quilombolas do nosso PaĆ­s: direito a terra, direito Ć s polĆ­ticas pĆŗblicas, acesso Ć  habitação, saĆŗde, educação. O Ministro Peluso, do Supremo Tribunal Federal, que Ć© o relator desta ADIN, pediu pressa para incluĆ­-la na pauta de julgamentos daquele Tribunal.Estamos aqui registrando que o Brasil tem uma dĆ­vida muito grande com a população negra, e o Supremo Tribunal Federal tem de estar antenado com as reivindicaƧƵes da sociedade. A população negra neste PaĆ­s, Sr. Presidente, segundo o IBGE, hoje perfaz mais de 50% da população brasileira. Ɖ uma população expressiva, no entanto, ainda carece de representatividade na polĆ­tica e na economia.
Portanto, esta Casa, de alguma forma, cumpriu o seu papel; aprovando na Comissão Especial o Estatuto da Igualdade Racial, que estÔ sendo questionado por setores conservadores do Congresso Nacional.
HĆ” um Senador, Demóstenes Torres, de GoiĆ”s, que tem tomado atitudes de desequilĆ­brio emocional que revelam a sua posição ideológica racista. Chegou ao ponto de considerar — e disse isso publicamente — que a culpa da escravidĆ£o contra os negros neste PaĆ­s era do próprio povo negro. Declarou, inclusive, que os casos de estupro no perĆ­odo da escravidĆ£o eram uma atitude concedida pelas mulheres negras que vivenciaram o processo escravizador.Portanto, Sr. Presidente, sei que nĆ£o Ć© fĆ”cil sensibilizar alguns setores desta Casa, mas acredito que o movimento negro brasileiro, o movimento social que compreende que a luta de combate contra o racismo Ć©fundamental para construir e consolidar a democracia no nosso PaĆ­s, vencerĆ”.
Viva a Zumbi! Viva a João Cândido! Viva ao Governo do Presidente Lula! (Muito bem. Apoiado. Palmas.)

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