quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Historiadora de Governador Mangabeira, defende doutorado na UNIRIO

0 comentários





Na última terça-feira (11/02/2020), a historiadora mangabeirense – Alaize dos Santos Conceição, defendeu sua tese de doutorado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), com o título: “Vai buscar no mato o que você enjeitou!” práticas religiosas e devoções negras no Vale do Iguape. Recôncavo Sul da Bahia (c.1930- c.1980), orientada pelo Prof. Dr. Anderson José Oliveira, sendo os participantes da banca: as professoras doutoras Cláudia Rodrigues, Andrea Barbosa Marzano, Mariza de Carvalho Soares e Wilson Roberto de Mattos.

Usando como foco principal as comunidades quilombolas do Vale do Iguape (Cachoeira – BA), Conceição organiza seu problema de pesquisa a partir do questionamento inicial: “Como as práticas religiosas vinculadas às experiências cotidianas no mundo do trabalho, da família, das festas e as práticas curativas refletiram nas vivências das populações negras do Recôncavo baiano, entre 1920 e 1980?” Questão que alicerça sua tese, através de várias reflexões, com destaque para a concepção de que: “As práticas religiosas e os atos devocionais tendem a redimensionar o cotidiano dos indivíduos produzindo efeitos materiais para aqueles que creem. Através da religiosidades dos sujeitos, há o compartilhamento de experiências em todas as esferas do vivido: família, trabalho, lazer, contribuindo para a identificação coletiva dos espaços e a formação dos território dos saberes”.

Essas reflexões foram fundamentadas em conceitos como: práticas culturais, cultura e memória, utilizando como vertente metodológica principal, as fontes orais, através dos depoimentos de pessoas que residem na área do Vale do Iguape. A autora, também recorreu as fontes escritas, destacando documentos como: relatórios médicos, correspondências direcionadas à Secretaria de Educação e Saúde, Leis, Decretos, Códigos de Posturas e outros.

Alaize dos Santos Conceição, atualmente é professor do Colégio Estadual Professor Edgard Santos – CEPES (Governador Mangabeira) e professora substituta da Universidade do Estado da Bahia –UNEB, instituição na qual realizou sua licenciatura e mestrado em História, também é forte defensora dos direitos e empoderamento das mulheres, bem como pelo reconhecimento e valorização da história do povo negro no Brasil.

“Parabenizo a professora Alaize por mais esta relevante conquista em sua vida, algo que condecora toda sua vitoriosa trajetória, a qual foi constituída de muitos sacrifícios e desafios, mas que com inteligência, criticidade e responsabilidade conseguiu vencer. Também, parabenizar pela extraordinária tese de doutorado, construída de um significativo estudo historiográfico, tornado visível aspectos da cultura e devoções religiosas da população negra do Vale do Iguape, situado no Recôncavo baiano. Valeu professora Alaize, você realmente é uma referência para todos nós mangabeirenses, sucesso na sua caminhada, rumo ao pós-doutorado”, salientou professor Borges.
Continue lendo ...

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Iemanjá a Rainha do Mar

0 comentários
Iemanjá é a Rainha do Mar e as suas representações no Candomblé são Asèssu, a Iemanja vestida de verde e Assabá, a Iemanja vestida de azul. Com o nome derivado da expressão Iorubá “Yèyé omo ejá” que significa “Mãe cujos filhos são peixes”, Iemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja ou Yemoja, é um orixá africano, identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejibe e ossá. Na Mitologia Yoruba, a dona do mar é Olokun que é mãe de Yemojá, ambas de origem Egbá.
Yemojá, que é saudada como Odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá, por sua ligação com Olokun, Orixá do mar (masculino (em Benin) ou feminino (em Ifé)), muitas vezes é referida como sendo a rainha do mar em outros países. Cultuada no rio Ògùn em Abeokuta.
Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta.
Além da grande diversidade de nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada, embora em raras ocasiões. A alcunha, criada durante a escravidão, foi a maneira mais branda de “sincretismo” encontrada pelos negros para a perpetuação de seus cultos tradicionais sem a intervenção de seus senhores, que consideravam inadimissíveis tais “manifestações pagãs” em suas propriedades[2]. Embora tal invocação tenha caído em desuso, várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a “Janaína do Mar” e como canções litúrgicas.
Pierre Verger ou Pierre Edouard Leopold Verger foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro, babalawo, que é um sacerdote Yoruba. Verger dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana, as religiões afro-derivadas do novo mundo, bem como os seus fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África. No livro Dieux D’Afrique registrou: “Iemanjá, é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. Com as guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros.”
No Brasil, Iemanjá é muito popular entre os seguidores de religiões afro-brasileiras. Em Salvador ocorre no dia 2 de Fevereiro, uma das maiores festas do país em homenagem à “Rainha do Mar”. A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até ao templo-mor, localizado próximo à foz do rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.
Outra festa importante dedicada a Iemanjá ocorre durante a passagem de ano no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a dividade. A celebração também inclui o tradicional “Banho de pipoca” e as sete ondas que os fiéis, ou até mesmo seguidores de outras religiões, pulam como forma de pedir sorte à Orixá.
Na Umbanda, é considerada a divindade do mar, além de ser a deusa padroeira dos náufragos, mãe de todas as cabeças humanas.
As qualidades da rainha do mar
Yemowô – que na África é mulher de Oxalá,
Iyamassê – é a mãe de Sàngó,
Yewa – rio africano paralelo ao rio Ògún e que frequentemente é confundido em algumas lendas com Yemanjá,
Olossa – lagoa africana na qual desaguam os rios Yewa e Ògún,
Iemanjá Ogunté – que casa com Ògún Alagbedé,
Iemanjá Asèssu – muito voluntariosa e respeitável,
Iemanjá Saba ou Assabá – está sempre fiando algodão é a mais jovem.
* Dia: Sábado.
* Data: 2 de fevereiro.
* Metal: prata e prateados.
* Cor: prata transparente, azul, verde água e branco.
* Comida: manjar branco, acaçá, peixe de água salgada, bolo de arroz, ebôya, ebô e vários tipos de furá.
* Arquétipo dos seus filhos: voluntarioso, fortes, rigorosos, protetores, caridosos, solidários em extremo, ingênuos, amigo, tímido, vaidosos com os cabelos principalmente, altivos, temperamentais, algumas vezes impetuosos e dominadores, e tem um certo medo do mar.
* Símbolos: abebé prateado, alfange, agadá, obé, peixe, couraça, adê, braceletes, e pulceiras.
Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive festas em homenagem as duas se fundem. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá tem sua data festiva no dia 2 de fevereiro. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão pelo mar.
No dia 8 de dezembro, outra festa é realizada à beira mar baiana: a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Esse dia, 8 de dezembro, é dedicado à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. Também nesta data é realizado, na Pedra Furada, no Monte Serrat em Salvador, o presente de Iemanjá, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar – também conhecida como Janaína
A tradicional Festa de Iemanjá na cidade de Salvador, capital da Bahia, tem lugar na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de Fevereiro. Na mesma data, Iemanjá também é cultuada em diversas outras praias brasileiras, onde lhe são ofertadas velas e flores, lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais.
A festa católica acontece na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, enquanto os terreiros de Candomblé e Umbanda fazem divisões cercadas com cordas, fitas e flores nas praias, delimitando espaço para as casas de santo que realizarão seus trabalhos na areia.
No Brasil, Iemanjá na versão de Pierre Verger, representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de vários filhos, ou vários peixes, que adora cuidar de crianças e animais domésticos.
{gallery}2012/iemanja{/gallery}
Continue lendo ...
 

Professor Borges Todos os direitos reservados © 2017 Ulisses D