sábado, 24 de fevereiro de 2018

Cotistas têm melhores notas em universidades, segundo Ipea

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Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os alunos cotistas apresentam desempenho próximo, similar ou até melhor em relação aos alunos que não cotistas. No Brasil 54 universidades públicas adotaram o sistema nos últimos anos, dentre elas a UNICAMP, Universidade Federal de Bahia (UFBa), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e desmitificaram essa ideia de que a cota vai “fazer o aluno desistir do curso por não acompanhar o ritmo” ou que o sistema de cotas “infla ainda mais o ódio racial”. 
Na Universidade de Brasília (UnB), 92,9% dos cotistas foram aprovados desde 2004, quando a política de cotas raciais foi instituída. O índice para os demais universitários foi de 88,9%. A nota média dos cotistas foi de 3,79, contra 3,57 dos demais – na UnB a nota é de 0 a 5.
Na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp) a história se repete. Na primeira, cotistas tiveram melhor rendimento em 11 dos 16 cursos da instituição e, na Unicamp, em 31 dos 55 cursos.
Em estudo da ONG Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro) junto à Uerj, estudantes negros e oriundos da rede pública, ingressantes entre 2003 e 2007, apresentaram maior coeficiente de rendimento médio (6,41 e 6,56 respectivamente) em relação aos cotistas (6,37). Índios e deficientes somaram 5,73.
Um balanço geral dos três grandes grupos de cursos aponta que o desempenho dos cotistas negros tende a ser maior nas graduações da área de Humanas, o mesmo acontece nos cursos de Ciências da Saúde. Em relação aos cursos de Exatas o aproveitamento dos afrodescendentes é mais baixo.
O bom desempenho ocorre com mais evidência nos cursos de Humanas porque são as graduações em que muitos cotistas atingiriam notas suficientes para passar no vestibular, sem a reserva de vagas, mas as notas também vêm do esforço para manter o lugar na instituição.
Na área de Saúde, a explicação seria semelhante. “A seleção é difícil e quem consegue entrar é uma elite”, afirma Claudete. Em Medicina, Odontologia e Nutrição, que estão entre os mais concorridos no vestibular, a diferença entre as notas no 1º semestre do curso foi de apenas 1%. Em Educação Física, também compreendida na área de Saúde, a diferença é de 2% e, em Farmácia, de 3%. 
O estudo mostra as dificuldades dos alunos que ingressaram pela reserva de vagas em acompanhar os colegas nos cursos de Exatas. Em Engenharia Civil, os cotistas tiveram notas 41% menores; em Engenharia Mecatrônica, 32%; em Engenharia Elétrica, 12%.
Segundo a pedagoga, o rendimento baixo pode ter como causa a educação deficiente de matérias que envolvem cálculo durante o ensino médio, conhecimento fundamental para esses cursos. “A base fraca de raciocínio matemático faz falta na universidade para os alunos desses cursos”, diz.
Segundo a pesquisa, a reserva de vagas tem conseguido trazer mais negros para dentro da universidade, mas Claudete sugere ações para que as deficiências levantadas sejam sanadas. “É preciso ver que dificuldades eles enfrentam e propor uma forma de acompanhá-los, por exemplo, com tutores, para que eles acompanhem os outros alunos”, afirma.



Fonte: http://www.jornalnc.com/noticia?351-Cotistas-t?m-melhores-notas-em-universidades,-segundo-Ipea
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Estrada Velha do Jordão: lembranças e importância

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Por: PROFESSOR BORGES E PEDRO BORGES.

Em um desses domingos (14/01/18), realizei uma visita a famosa feira livre do Jordão (distrito do município de Cabaceiras do Paraguaçu, também chamado de Geolãndia), na oportunidade passou um filme na minha cabeça da época de jovem, quando visitava essa feira. Na volta, resolvi aumentar as lembranças, fiz o percurso pela Estrada Velha que liga a mencionada localidade a comunidade de Queimadas (município de Governador Mangabeira), nesse momento as reminiscências da importância dessa estrada aflorou, despertando o desejo de escreve algo acerca do valor histórico dessa arteira, fundamento nas minhas inesquecíveis lembranças.

Até 1962, uma pessoa da então vila de Cabeças que desejasse visitar a feira do Jordão, tinha que descer a primeira ladeira da atual rodovia Jonival Lucas e metros a seguir dobrar a direita pela estrada do Tamarindo, a qual dar acesso as localidades de Queimadas Nova e Velha, sendo que em frente as residências dos saudosos Estevam e Rosalvo Borges, o transeunte dobraria a direita para chegar a Estrada Velha do Jordão. Esse trajeto acontecia, pois até então o trecho da rodovia Jonival Lucas que dar acesso as localidades do Torto e Encruzo, ainda não existia, obra realizada a partir da transformação da vila de Cabeças em município de Governador Mangabeira (14/03/1962), na gestão do primeiro prefeito (1963-1966), o inesquecível: Agnaldo Viana Pereira.

Revivendo as lembranças dessa Estrada, não posso deixar de mencionar pessoas memoráveis que habitam a beira dessa via. Iniciando por Estevam Borges e Maria Medeiros – dona Santa (meu pai e minha mãe), Tio Rosalvo Borges e tia Alaide Borges, depois: Brasil Rodrigues e dona Sabina, Senhor e Antônia, tio Saturno e tia Zinha, mais abaixo Brás e Lúcia e nas Pedrinhas - Amado Moreira. Elucidando que anterior as minhas lembranças viveu as margens dessa via, Antônio Borges da Silva (meu avô paterno), homem de visão aguçada para o seu tempo.

Ainda no campo das recordações, lembro-me da fonte do senhor Brasil, onde muitas pessoas lavavam roupas, tomavam banho e as vezes pegavam água para abastecer suas casas, também dos feixes de lenha que eu e meus irmãos transportavam dos terrenos de Trazibulo e Civiriano, para cozinhar e torrar farinha. As vezes "caçava" essa lenha com medo dos bois e até do dono da propriedade, disputávamos para ver quem fazia o feixe mais bonito e de melhor lenha, o qual era transportado na cabeça até em casa e, que alívio quando jogava o feixe na ruma de lenha.

Também, não posso esquecer da Ponte, espaço que no verão se transformava em área de lazer, pois dezenas de pessoas enchiam aquele local em busca de diversão e um delicioso banho. A Ponte fica sobre o riacho dos Brejos e foi construída no governo do Dr. César Pereira Leite (1948-1951), quando a vila de Cabeças pertencia a Muritiba e reformada ma década de 70 no mandato do prefeito do nosso município -Adauto João Mamona dos Santos. Hoje se encontra em um estado de abandono, necessitando que os governantes realizem uma reforma que possa manter viva a memória desse patrimônio histórico.

Antes de chegar na Ponte, parava um pouco na casa dos meus tios Saturno José e Maria Amália (Zinha) para chupar manga (mangueira que ainda está viva) e tomar água do pote, também ficava admirando um pouco a bicicleta de Antônio de Saturno, veículo bonitão, que impressionava a todos e consequentemente sonhava em um dia comprar uma daquela. Também, ouvia atentamente as singelas palavras da minha tia Zinha, uma doçura de pessoa.

Do ponto de vista econômico, a Estrada Velha do Jordão atingiu seu apogeu até a década de 1960, por onde muitos indivíduos levavam produtos para comercializarem na feira do Jordão, quer seja em lombos de animais ou através de algum automóvel. Até a minha adolescência, lembro dos homens que passavam logo cedo para a mencionada feira em seus burros, cavalos ou jegues, quando voltavam paravam para beber água em minha casa nas Queimadas ou até mesmo tomar uma tubaína, uma pinga ou uma jurubeba na venda do meu pai ou de tio Rosalvo. Ainda, recordo das boiadas que por essa artéria passavam, como não lembrar dos bois que Isaías Ribeiro levava para abater no seu açougue em Queimadas, ficava torcendo para que algum desses animais quando chegasse próximo a minha casa debandasse de volta para a velha estrada e com sua habilidade de vaqueiro o saudoso Val de Alcides derrubasse um desses bois.


Evidente que as lembranças dessa estrada são múltiplas e ultrapassam as minhas lembranças, assim conversando com meu irmão Pedro Borges, ele também resolveu contribuir de forma salutar para produção desse texto, revivendo com bastante propriedade suas memorias e alargando a temporalidade das informações que até então foram mencionadas.

Pedro Borges, destaca que a centenária estrada do Jordão, contribuiu imensamente para o povoamento e o crescimento de todo eixo entre a vila de Cabeças e as localidades de Aldeia, Queimadas, Riacho dos Brejos, Pedrinhas, Tauá e o Jordão. Nesse contexto, não se pode esquecer das vendas de Nezinho Gomes, Turibo, Firmino (Firmo) e Rosalvo Borges, localizadas em Queimadas, essas que na década de 50 e 60 eram pontos obrigatórios para as pessoas que se deslocavam para a feira do Jordão. Também as suntuosas moradias da família Dias (Epifãnio, Júlio e Gilberto), de Vavá Mascarenhas, o Sitio Alegre de Nezinho Gomes e avenida de casas de Antônio Borges com os diversos arrendeiros.

Borges, salienta que memoráveis são as recordações da casa de farinha de Saturno Santana, a oficia de Roque Santeiro, onde se produzia majestosas imagens de Santos, bem como as panelas e tachos de barro feitas por dona Almerinda com argila extraída do riacho do Brejos e das tradicionais rezas na casa do casal Pacífico e Nenê - pais de Mariquinha, Cabloco, Pedro, Luzia, Balbina, Dadinho e Maroto, rezas essas que reuniam dezenas de pessoas, além da venda de Dadinho – próxima ao riacho, a qual no final do dia era ponto de encontro para elaboradas conversas dos homens.  Após a Ponte sobre o citado riacho, destacavam-se a colonial fazenda pertencente a Antônio Borges (no Caldeirão Grande), o açougue de Amado Moreira (nas Pedrinhas), o qual era o mais famoso na década de 60 e já no final da estrada o comércio de Alcides Santana.


Além desses aspectos, vale ressaltar o rico comércio de fumo (tabaco) desenvolvido em trechos da mencionada arteira ou próximo a ela, com destaque para o empreendedorismo de pessoas como Júlio e Gilberto Dias, Valdemar Mascarenhas, Zefirino e Patrício Ferreira, Crispim Alberto, Estevam e Rosalvo Borges e outras, contribuindo para tornar essa estrada um verdadeiro celeiro comercial e consequentemente fomentar o intercâmbio com a riquíssima feira do povoado do Jordão (Geolândia). 

Evidente que a história é mutável, cada época tem sua importância, assim como a Estrada Velha do Jordão teve a sua. Restam as lembranças e recordações das pessoas que alcançaram alguns dos momentos de efervescência dessa via e, a nós historiadores reescrever um pouco dessas memórias, porém como testemunho ocular dessa história, existe o quase centenário eucalipto próximo à casa do senhor Brasil Rodrigues, árvore que por certo valida as minhas lembranças e as de Pedro Borges, acerca dessa importante estrada.  

Contribuíram para a produção desse texto:

Adauto João Mamona dos Santos - ex prefeito do município de Governador Mangabeira.
Pedro Antonio Borges da Silva - ex vereador, ex vice-prefeito e atual chefe de gabinete da prefeitura de Governador Mangabeira.
João Miguel - ex aluno da escola São Luis (Muritiba) e estudante de Jornalismo da UFRB)
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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Flagrantes paisagísticos do Recôncavo baiano

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Por: Jânio Roque Barros de Castro.

Vista panorâmica de Cachoeira (a sua direita) e São Félix (a esquerda), duas belas cidades históricas do Recôncavo baiano, entremeadas pelo Rio Paraguaçu, que é o curso d’água estruturante de uma importante bacia hidrográfica do estado da Bahia. Do ponto de vista físico-espacial tratam-se de cidades gêmeas, separadas por uma ponte de menos de 400 metros de extensão, que se assemelham sob o prima da história sociocultural. Sob a ótica da dinâmica funcional, tratam-se de cidades conurbadas do ponto de vista da articulação de serviços diversos, atividades comerciais e circularidade de diferentes sujeitos sociais. 
O rio Paraguaçu nasce na Chapada Diamantina e atravessa uma área de caatinga na qual a relativa planura é quebrada com a presença destoante dos inselbergues (morros de pedras) e de lá segue para o Recôncavo baiano, onde o clima é predominantemente tropical sub-úmido com uma estação chuvosa e outra seca (atente-se para não confundir com tropical semi-úmido das áreas do cerrado do Brasil central, que apresentam uma estação seca no inverno e chuvas concentradas no verão). Nessa área onde estão situadas as duas cidades, o relevo apresenta feições arredondadas. 
Depois desse trecho da foto, o rio vai em direção a Baía de Iguape e de lá desemboca na Baía de Todos os Santos, adentrando ambientes com vegetação pré-litorânea e litorânea, a exemplo de resquícios da mata atlântica. Com as comportas da barragem de Pedra do Cavalo abertas, amplia-se a capacidade de transporte do rio em uma área que sofreu impactos devido a o barramento, uma vez que a barragem diminui a força do rio o que contribui para o aumento dos efeitos da maré, que saliniza biomas cuja dinâmica era tipicamente fluviomarítima; ou seja, o barramento promove um desequilíbrio ambiental. Apesar dos impactos citados, as barragens para produção de energia hidrelétrica são bem melhores do ponto de vista ambiental quando comparadas com fontes altamente poluidoras, como as termelétricas. 
Lamenta-se a desativação da navegação fluviomarítima nesse trecho do baixo curso do rio Paraguaçu, no início da década de 1970. Cachoeira e São Félix são duas cidades reconhecidas nacionalmente pela força e fulgor do seu patrimônio cultural material (conjunto arquitetônico) e imaterial (manifestações culturais e festivas diversas).

Jânio Roque Barros de Castro:
Professor Titular da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, Campus V - Santo Antônio de Jesus. Vice-líder do Grupo de Pesquisa "Recôncavo: território, cultura, memória e ambiente".
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