sexta-feira, 28 de julho de 2017

Professor Borges, apresenta artigo sobre a trajetória política do Vereador Leopoldo no Simpósio Nacional de História em Brasília

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Hoje (28/07/2017), o professor Borges, apresentou no XXIX Simpósio Nacional de História, na cidade de Brasília, o artigo intitulado: O NEGRO NA POLÍTICA: A TRAJETÓRIA DO VEREADOR LEOPOLDO SILVÉRIO DA ROCHA – GOVERNADOR MANGABEIRA – BAHIA (1983-2000). O artigo foi elaborado como trabalho de conclusão da Especialização em História da África, da Cultura Afrobrasileira e Africana, oferecida pela UFRB, sendo a orientadora a professora Dra. Martha Rosa.

O artigo está dividido em três tópicos - Política: uma introdução; O Negro no Poder e a Trajetória Política do Vereador Leopoldo Silvério da Rocha, este último subdividido em áreas de atuação da educação, saúde, infraestrutura para o bairro do Portão e as relações políticas. As fontes utilizadas foram os livros de ata da Câmara de Vereadores de Governador Mangabeira dos anos de 1983 a 2000, bem como, entrevistas realizadas com políticos e pessoas que conviveram com o Vereador Leopoldo da Rocha durante o período de sua vereança.

Leopoldo Silvério da Rocha, nasceu em 14 de fevereiro de 1945 na então Vila das Cabeças, atual município de Governador Mangabeira, foi pai de nove filhos. No ano de 1963 criou na localidade do Portão (Governador Mangabeira), o Terreiro Ilé Oyó Mese Alaketu Axé Ogum Onirê. Em 1982 foi eleito Vereador pela primeira vez, sendo reeleito nas eleições subsequentes (1988, 1992 e 1996). Concorreu mais duas vezes uma cadeira na Câmara Municipal, porém não obteve sucesso, ficando na suplência.

Faleceu no dia 14 de maio de 2006, em um trágico acidente na BR 101, juntamente com sua esposa Nanci Santos Leite e um sobrinho, logo após retornar de uma festa em um terreiro de Candomblé na cidade de Feira de Santana.

O XXIX Simpósio Nacional de História, organizado pela ANPUH – Associação Nacional de História, aconteceu entre os dias 24 a 28 de julho na Universidade de Brasília – UNB, sendo que o mencionado artigo foi apresentado no Simpósio Temático - História Política: conceitos, métodos e suas múltiplas experiências, coordenado pelo professor Américo Oscar Guichard Freire (FGV/CPDOC) e pela professora Carla Brandalise (UFRGS).


Luís Carlos Borges da Silva (professor Borges), é licenciado em História pela UEFS, especialista em História Regional pela UNEB, especialista em História e Cultura Afrobrasileira, Africana e Indígena pela FAMAM, atualmente leciona no Colégio Estadual Professor Edgard Santos – Governador Mangabeira e na Escola São Luís – Muritiba.

“Agradeço a todos e a todas que contribuíram para a elaboração desse artigo. A professora Martha Rosa pelas relevantes sugestões durante orientação, os familiares do senhor Leopoldo, em especial os seus filhos Lindomar e Leomar, aos funcionários da Câmara de Vereadores de Governador Mangabeira, em especial a senhora Marizete Conceição, ao presidente da Câmara na época da pesquisa – Edgard Henrique de Oliveira e Oliveira, as pessoas entrevistadas, a minha esposa Mirian Flores de Jesus da Silva pelos incentivos e companhia durante o Simpósio, aos meus familiares pelo apoio de sempre e ao professor Cássio Alves pela contribuição na transcrição dos discursos do vereador Leopoldo e na elaboração do texto do artigo”, enfatizou o professor Borges.






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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Pedagoga de Governador Mangabeira, apresentará trabalho em Portugal

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MÍRIAM DA SILVA DOS SANTOS DA PAZ, natural do município de Governador Mangabeira, graduada em Pedagogia pela Faculdade Maria Milza - FAMAM, participará da “Porto International Conference on Research in Education” - Porto ICRE'17, que será realizada entre os dias 19 a 21 de julho de 2017, na cidade do Porto - Portugal, no Instituto Superior de Engenharia do Porto - ISEP. O evento  é organizado pelo Centro de Investigação e Inovação em Educação (inED), da Escola Superior de Educação, do uma estrutura que reúne investigadores de diferentes áreas inter-relacionadas do conhecimento que contribuem para o estudo abrangente e sistemático da Educação.

A participação de Miriam, na mencionada Conferência, será através da apresentação do seu Trabalho de Conclusão de Curso, com o titulo: "As Concepções dos Educadores sobre as Práticas Educativas Desenvolvidas com Jovens em Situação de Risco em uma Instituição Socioeducativa no Interior da Bahia", o qual visa discutir a situação dos sujeitos em situação de risco, na perspectiva de debater sobre eficácia da aplicabilidade das medidas socioeducativas, diante da necessidade urgente de reversão de tal realidade social. Do ponto de vista social, esse trabalho poderá permitir novas formas de ver e entender quem são os jovens em estado de vulnerabilidade, para além de estereótipos e preconceitos, a partir das visões dos professores que atuam com esses sujeitos. A orientadora do TCC foi a  professora Adarita da Silva Souza.

Miriam da Silva dos Santos da Paz, mulher negra, oriunda de família humilde, reside na localidade de Furtado, município de Governador Mangabeira, filha de Almerindo Ferreira dos Santos e Maria Julieta da Silva dos Santos, mãe de três filhos, concluiu seu ensino médio no Colégio Estadual Professor Edgard Santos - CEPES, no anexo da localidade de Quixabeira, em uma turma de EJA - Educação de Jovens e Adultos que funciona no período da noite, já em 2016 concluiu sua graduação em Pedagogia pela FAMAM.

Devido os elevados custos da viagem, Mirian está recebendo apoio da Prefeitura Municipal e de seus parentes e amigos, pois atualmente encontra-se desempregada.

"Parabenizamos a professora Mirian pela aceitação do seu trabalho nessa renomada Conferência na cidade do Porto - Portugal, demonstrando o valor da sua pesquisa, a qual discute uma relevante temática - Jovens em situação de Risco, bem como, elucidamos a significativa presença de uma pesquisadora negra nessa vertente educacional", explicitou o Professor Borges 

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domingo, 9 de julho de 2017

Estudante de Design de Moda, representará a Bahia em Reality Fashion no Paraná

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A Estudante de Design de Moda pela UniCesumar – CLEIDIANE ALVES FLORES, representará a Bahia no Reality Fashion entre os dias 24 a 28 de julho na cidade de Maringá, estado do Paraná. Cleidiane, participou de uma seleção com 350 estudantes, sendo que dos 30 trabalhos escolhidos, o seu ficou entre os 5 melhores do Brasil.

A escolha aconteceu através das atividades denominadas MAPA (Material de Avaliação Prática de Aprendizagem) das disciplinas de História da Arte e do Design, sendo que cada aluna (o) teria que produzir uma roupa para a boneca Barbie. O estilo escolhido por Cleidiane foi Art Pop, inspirada nas obras de Romero Brito – Butterfly (Borboleta) e a New Day (Um Novo Dia). Os trabalhos foram avaliados e classificados por uma banca formada por profissionais de Moda/Design e áreas afins, convidados pela organização do evento, que não tem vínculos com o (a)s candidato(a)s.

O Reality Fashion, será dividido em 10 equipes com 3 participantes. O desafio proposto pelo concurso é a criação, desenvolvimento, execução e apresentação de um produto de moda, com uma temática que será especificada pela comissão ao início do desafio. O mesmo consistirá na criação e desenvolvimento de um produto de moda, no qual deverá ser apresentado um briefing, croqui, modelagem, costura e apresentação da peça finalizada e pronta para utilização. Durante todo o período do concurso os participantes contarão com o apoio de mentores, assim como de profissionais técnicos para auxílio na operacionalização e desenvolvimento do desafio proposto.

No dia 28/07/2017, haverá o evento aberto ao público respeitando-se o limite de capacidade máxima do local, onde serão apresentados os produtos desenvolvidos pelos participantes do Reality, neste momento será apresentado a banca julgadora que deverá classificar os produtos de acordo com os critérios apresentados aos participantes durante o concurso. As três primeiras equipes serão premiadas da seguinte forma: 1ª Colocação: R$ 3.000,00. 2ª Colocação: R$ 1.500,00. 3ª Colocação: R$ 900,00. Ainda, será concedido aos(as) estudantes certificados de 40 horas pela participação no Reality Fashion.

Cleidiane Alves Flores, é natural de Salvador, mas tem suas raízes na cidade de Muritiba, precisamente na localidade de Carro Quebrado, pois seu pai Eraldo Guedes é filho de dona Benedita Guedes e senhor Germano Flores, estes que residem na citada localidade. Cleidiane é casada e mãe de dois filhos (Victor e Thiago). Atualmente, está cursando Design de Moda a distância pelo UniCesumar - Centro Universitário Cesumar, com sede na cidade de Maringá – Paraná, considerado o melhor centro de ensino superior da região sul do país.

“Parabenizamos a Cleidiane pela elaboração desse significativo trabalho, o qual sem dúvidas tem relevante valor para o universo da moda, muito em função da sua criatividade, ao passo que lhe desejamos sucesso e boa sorte na participação no Reality Fashion que acontecerá na cidade de Maringá”, enfatizou o professor Borges.
Links sobre o evento: https://www.instagram.com/p/BWATyQzgCLC/. https://www.youtube.com/watch?v=9xEl50ks0lk&feature=youtu.be 
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terça-feira, 4 de julho de 2017

Alunos do Colégio Edgard Santos, elaboram cordel sobre livro relacionado a História e Cultura da África

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Os alunos do Colégio Estadual Professor Edgard Santos (CEPES), localizado na cidade de Governador Mangabeira, da turma do primeiro ano D - turno matutino, elaboraram um cordel acerca do livro UMA CONVERSA SOBRE AS ÁFICAS, de autoria do professor de História da África da UFRB - JUVENAL DE CARVALHO. O cordel fez parte do projeto LITERATURA E PROBLEMAS SOCIAIS, objetivando estimular entre os estudantes a leitura e a consciência critica, sendo que a culminância aconteceu no dia 20/06/2017. 
A elaboração do cordel foi coordenada pelo professor de história da citada turma - Luís Carlos Borges da Silva, a partir do estudo da temática África: berço da humanidade, sendo que a sala foi dividida em seis grupos de sete alunos, os quais fizeram a leitura do livro em  equipe  e em seguida produziram o cordel, que foi apresentado durante a culminância do mencionado projeto. Salientando que essa atividade, também está em consonância com o disposto na lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afrobrasileira em toda a educação básica do país.
O livro Uma Conversa Sobre as Áfricas, se fundamenta no diálogo entre um velho (seu Didi) e um jovem (Nascimento), acerca da histórica e cultura dos povos africanos, bem como, suas contribuições para o Brasil e a humanidade em geral. O livro é um convite, um pedido de licença para abrir uma grande roda de conversa sobre as Áfricas. “Agô, agô, eu peço agô"!
Vale mencionar que no desenvolvimento do aludido projeto, também foram produzidos cordéis sobre outros livros, como a Moreninha, Policarpo Quaresma, Auto da Compadecida, Dom Casmurro, As Vítimas Algozes, bem como, acerca de temáticas de cunho social e cultura, dentre as quais podemos citar: violência contra mulher, usos e abusos do celular, história do cordel, orgulho brasileiro, festas juninas, seca no Nordeste, o Edgard de hoje, preconceito racial, o Brasil de luto, as tradições e linguagens do sertão e outros.
"Parabenizamos aos estudantes da turma do primeiro DM pela produção do relevante cordel, bem como, agradecemos aos professores, as professoras e a direção do CEPES pelo apoio na realização dessa significativa atividade, também externar nossos parabéns ao professor Juvenal de Carvalho pela inciativa de produzir esse ótimo livro, enfatizando a importância de levar para a sala de aula a rica história e cultura do continente africano.
A seguir consta o mencionado cordel na integra.      

CORDEL - LIVRO UMA CONVERSA SOBRE AS ÁFRICAS

Com licença, muita licença
Agora vou lhe falar
A África é o continente
Que esse cordel vai informar.


O livro Uma Conversa sobre as Áfricas
Escolhemos para analisar
Nele existem várias curiosidades
Que agora o primeiro D vai relatar.


Na conversa de seu Didi e Nascimento
Esse bom livro é fundamentado
Quando em todo momento
O velho pelo menino é interrogado


Ficamos sabendo de muitas coisas
Que o Brasil herdou de lá
Dos diversos povos e etnias
Que o europeu resolveu escravizar.


Aprecio o samba e a capoeira
Ao som do tambor e do berimbau
Gosto de ouvir os mais velhos
Com sua sabedoria sensacional.


Mentiras pelos dominadores
Passaram a ser divulgadas
Quando a palavra África
Pelo mundo foi espalhada.


Os europeus não usaram só a força
Disseram que a África era um lugar ruim
Construíram uma imagem negativa
Mesmo sabendo que não era assim.


Ideias erradas sobre a África
Na mídia ainda são faladas
A história desse continente
Na escola deve ser valorizada


Existem várias maneiras
Do racismo fazer a imposição
Com preconceitos e teorias
Que aumentam a discriminação.


A África é um continente
Com várias identidades
Possui 55 países.
Cada um com sua realidade.


Através da nossa fala
O preconceito pode acontecer
Humor negro, lista negra
Nunca devemos dizer.


Na internet e na TV
Existe discriminação
Desse rico Continente
Com tanta diversificação


Novas ideias estão surgindo
Contra essa discriminação
Incluindo o ensino da África
Em todo sistema de educação.


De olho nas riqueza
Os europeus fizeram a invasão
Discriminando o povo africano
E introduzindo a exploração.


Dividir para dominar
Diziam as nações europeias
Partilhando entre si a África
E Impondo suas ideias.


Antes dos europeus
Uma invasão existiu
Através dos povos árabes
E outra religião se expandiu 


Depois vieram os brancos
Com a ideia de civilização
Impondo uma maneira de pensar
Que humilhava toda população.


Com o passar dos anos
Acabou essa crueldade
Com lutas pela independência
Que levaram a liberdade.


Foi na África que tudo começou
O continente berço da humanidade
Por lá vários reinos existiram
Estados organizados de verdade.


Um forte exemplo é o Egito
Reino antigo de muita evolução
Já faziam arquitetura e medicina
Criaram as pirâmides e a mumificação.


Nascimento ao questionar seu Didi
Conseguiu chegar a uma conclusão
Com essas mudanças na escola
Á África é estudada com outra visão.


                                                      A leitura desse livro                       
Nos trouxe uma reflexão
Que a África é muito rica
Com uma cultura de expressão


Ao autor Juvenal de Carvalho
Parabéns por assim trabalhar
Passando para os estudantes
A África com um outro olhar.


Diga não ao preconceito
Ao racismo e a discriminação
Lembre-se sempre que o negro
Ajudou a construir nossa nação.


Falando do projeto de leitura
Parabéns pela sua organização
Através dele conseguimos falar
Da África com muita emoção.


Obrigado aos professores e aos colegas
Que esses versos ajudaram a organizar
Aqui fica uma grande certeza
Como é gostoso no Edgard estudar.



CEPES
Colégio Estadual Professor Edgard Santos
Rua Manoel Machado Pedreira, S/N
Gov. Mangabeira – Ba
Fone/Fax: (75) 3638 2263
Email: cepes29@hotmail.com


Autores do Cordel: Alunos do Primeiro DM
Coordenador: Professor Borges
Livro escolhido para o Cordel:
Uma Conversa Sobre as Áfricas
Autor: Juvenal de Carvalho.
Projeto: Caravana do Forró.
Tema: Literatura e Problemas Sociais.

Governador Mangabeira – BA, 2017
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sábado, 1 de julho de 2017

O dois de julho na Bahia: breve histórico

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A data de 02 de julho para nós baianos é muito importante, pois comemoramos a independência da Bahia, nosso querido Estado, e por certo podemos afirmar que foi "o dia em que o povo ganhou", pois a participação popular foi fundamental para que as tropas de Madeira de Mello fossem derrotadas. Falar do dois de julho, é mencionar a participação popular em todos os sentidos, é pensar na mais pura visão de liberdade, democracia e justiça social. Além disso, sem a luta do povo baiano não se teria efetivado a Independência do Brasil, uma vez que não foi o simples grito do Ipiranga que tornou nosso povo livre, porém através da luta e o sangue derramado de muitos baianos aconteceu de fato a consolidação da independência do Brasil. 
O sentimento de liberdade na Bahia esteve presente muito antes do dois de julho de 1823, principalmente no movimento conhecido como Conjuração Baiana (1798), liderado pelos negros Lucas Dantas, Manoel Faustino, João de Deus e Luiz Gonzaga das Virgens, ambos enforcados em Praça Pública. Recentemente os mesmos foram reconhecidos como heróis nacionais. O movimento desejava melhores condições de vida para o povo baiano e o fim da escravidão. Nessa época a maioria da população era marginalizada dos benefícios do poder público, daí a necessidade de se rebelar contra a ordem imposta por Portugal.
A vontade popular em se libertar de Portugal era grande, porém a elite agrária com medo que o povo tomasse o poder resolveu usar D. Pedro para comandar o processo de independência, fato que aconteceu em sete de setembro de 1822, diga de passagem sem a participação popular e sem concretizar avanços sociais, a exemplo disso foi a manutenção da escravidão. Porém foi na Bahia que a participação popular teve um maior significado, com intuito de expulsar as tropas portuguesas do nosso território. Aliás é um erro considerarmos D. Pedro como herói, aspecto que infelizmente ainda é trabalhado em algumas escolas, pois com ou sem ele a independência aconteceria. Na verdade ele foi usado pela elite dominante, que temia as rebeliões populares, principalmente as de origem escrava.
A insatisfação do povo baiano com Portugal teve seu apogeu antes do sete de setembro, quando no dia 31 de janeiro de 1822 a Câmara de Vereadores de Salvador elegeu uma nova junta militar para comandar a província, porém dias depois chegou de Portugal o decreto que nomeava o brigadeiro Inácio Luiz Madeira de Melo como novo governador da Bahia, fato que revoltou todas as camadas populares baiana.  
No dia 19 de fevereiro de 1822, Madeira de Melo invadiu a cidade de Salvador controlando os quartéis e os fortes. Nesta data aconteceu a morte da freira Joana Angélica, quando tentou impedir a entrada das tropas portuguesas no Convento da Lapa, a transformando em  Mártir da Independência da Bahia. A ocupação militar de Madeira de Mello visava fortalecer os laços entre a Bahia e Portugal, aumentando o número de soldados e a rigidez administrativa, contribuindo para a fuga de muitas famílias para cidades do Recôncavo, a exemplo de Cachoeira, Santo Amaro, Maragojipe e Nazaré das Farinhas.
Devido a importância econômica do Recôncavo, com destaque para a cidade de Cachoeira, Madeira de Mello resolveu invadir a cidade, porém foi derrotado pelas tropas do exército brasileiro e principalmente pela luta do povo cachoeirano no dia 25 de junho de 1822, data que atualmente o governo do Estado transfere sua sede para Cachoeira, realizando diversas atividades comemorativas e festivas.
A participação de Cachoeira na independência da Bahia tem um forte significado, pois o povo daquela cidade disse não a forma ditatorial de governar dos portugueses. Esse simbolismo ainda é maior quando lembramos da figura de Maria Quitéria, filha de fazendeiros de Feira de Santana, que na época pertencia ao município de Cachoeira, lutou na guerra disfarçada de homem aos 30 anos de idade, alistada com o nome de soldado Medeiros, fato que levou D. Pedro I a lhe conceder uma medalha de honra da Imperial Ordem do Cruzeiro, no Rio de Janeiro.
Além de Joana Angélica e Maria Quitéria, outra mulher se destacou nesse processo, trata-se de Maria Filipa - negra, natural da ilha de Itaparica, Maria Felipa comandou cerca de 40 mulheres na luta pela independência da Bahia. Segundo relatos históricos, o grupo liderado por ela foi responsável por queimar 42 embarcações portuguesas.Há também o episódio lendário da surra de cansanção que Maria Felipa teria dado em homens portugueses.
Em novembro de 1822, Madeira de Melo tentou controlar a área de Pirajá, mas suas tropas foram vencidas pelo Exército Brasileiro sobre o comando do general José Joaquim de Lima e Silva, que substituiu o general Labatut, porém as tropas portuguesas ainda permaneceram em outras áreas da cidade, sendo derrotadas finalmente no dia dois de julho de 1823, selando o fim da dominação portuguesa sobre a Bahia.
O dois de julho ficou como data patriótica dos baianos, desde então estabeleceram a tradição de comemorá-lo  anualmente, com festas, desfiles, mais tarde acrescentaram as figuras do caboclo e da cabocla, que representam o povo e o índio brasileiro, além da figura feminina e da liberdade sob a forma da índia Catarina Paraguaçu”.
Ao longo do tempo as comemorações pelo dois de julho foram se efetivando em diversas cidades da Bahia. Na cidade de Governador Mangabeira, tudo começou com os moradores da rua Dois de Julho, no inicio dos anos 80, quando alguns deles resolveram estender os festejos de São João, colocando uma mesa no meio da rua com comidas e bebidas típicas dessa época, onde todo mundo se servia de forma gratuita, a maior preocupação era a confraternização entre as pessoas e a manutenção de alguns laços da nossa cultura popular. Com o passar dos anos a festa foi ganhando corpo e hoje se transformou em tradição. Foram várias as pessoas que contribuíram para o surgimento dessa festa, dentre elas podemos citar: Ana, Bigu, Carlinhos, Dona Lita, Senhor Antonio, Alderiva, os filhos de Neris, dona Leleu, Luiz de Detinho e tantos outros que contribuíram para a origem dessa festa.
No inicio tudo era organizado pelos próprios moradores, com o passar do tempo, o poder público tomou para si a organização da estrutura da festa, incorporando outros elementos como desfiles, apresentações cívicas e de quadrilhas juninas. No final dos anos 90 a festa ganhou proporções gigantescas, vinculadas as grandes produções artísticas e um elevado sentido comercial e político.

Por: Luís Carlos Borges da Silva - professor de História do Colégio Estadual Professor Edgard Santos e Escola São Luís. 

HINO DO ESTADO DA BAHIA

Música: José dos Santos Barretos
Letra: Ladislau de Santos Titaro

Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro

Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações

Salve, oh! Rei das Campinas
De Cabrito a Pirajá
Nossa pátria hoje livre
Dos tiranos não será

Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações



Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a pátria defender
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer



Hino ao 2 de Julho - interpretado por Tatau e orquestra Neojibá:
https://www.youtube.com/watch?v=M7gkpWjKUzk
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