sábado, 29 de abril de 2017

Greve geral é registrada como a maior da história do Brasil

O País amanheceu paralisado neste 28 de abril. A greve geral, convocada pelas Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), ocorre 100 anos depois da Greve Geral de 1917 e se tornou a maior da história. Estima-se que mais de 35 milhões de brasileiros deixaram de trabalhar nos 26 estados da Federação e no Distrito Federal.
Pela manhã, além de manifestações, trancamentos de avenidas e rodovias foram registrados em diversas capitais do País. Na Zona Leste de São Paulo, a Polícia Militar reprimiu duramente uma manifestação e seis militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) foram detidos e acusados de associação criminosa. O movimento denuncia uma tentativa de criminalização das ações da greve geral. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, ao menos 13 pessoas foram detidas na capital paulista.
Na área do transporte, metrôs, ônibus e trens, de diversos municípios paralisaram por 24 horas. Professores, das redes pública e privada, metalúrgicos, petroleiros, aeroportuários, bancários, comerciários, agentes dos Correios e diversas outras categorias também aderiram à greve. Inclusive os aeroviários, que, segundo balanço da Infraero, resultou em 131 voos atrasados (17%) e 47 cancelados (6,1%), de um total de 771, nacionais e internacionais.
Dirigentes e até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comemoraram o sucesso das manifestações. Antes mesmo do balanço da greve, em entrevista à Rádio Brasil Atual, Lula afirmou que os brasileiros, hoje, têm maior conscientização sobre os impactos das reformas. "A greve teve adesão da dona de casa, dos trabalhadores do pequeno comércio. O movimento sindical e o povo brasileiro estão fazendo história", destacou.
“Se empurrar o Temer cai”
No Largo da Batata, região central da cidade de São Paulo, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocaram um ato que contou com a participação de mais de 70 mil pessoas, de acordo com a organização da manifestação.
Para Deborah Cavalcante, militante do coletivo Rua que estava presente, as reformas do governo Temer significam um grande retrocesso para a juventude. "(As reformas) significam transformar os direitos trabalhistas, que desde 1940 são garantidos, em pó. Significa garantir que a juventude vai ser precarizada, terceirizada, ainda mais desempregada. Significa dizer que a gente vai ter que morrer de trabalhar sem ter o direito à aposentadoria", explicou a ativista.
"Querem acabar com a dignidade e os direitos sociais dos trabalhadores. Isso é inadmissível. Por isso a greve geral representa uma tentativa muito mobilizada e muito importante de reverter a maré da história, de reverter o que significa o golpe no País e dizer que nós não vamos aceitar, ou pelo menos não vamos aceitar calados, o que o Temer e o projeto do golpe tem feito", complementou Cavalcante.
Renato Bicudo, 60 anos e aposentado, participou do ato e denunciou que as reformas de Temer constituem um desmonte dos direitos sociais. "Eu trabalhei trinta anos na Justiça do Trabalho e sei o que será isso para os trabalhadores. Estou aqui também porque o Governo Temer é o governo mais cínico da história. Eles não têm a sensibilidade de ver o movimento das ruas e dos trabalhadores. Atropelam todas as instâncias consultivas e impõe suas agendas fascistas para exterminar grandes conquistas sociais", afirmou.
Em cima do carro de som, Guilherme Boulos, coordenador do MTST, fez falas contundentes contra o governo. "O povo brasileiro não vai aceitar o fim do direito a se aposentar. Não vamos aceitar uma reforma trabalhista infame, que ataca direitos de mais de 80 anos conquistados pela luta de trabalhadores e trabalhadoras do País. Quem quer aprovar esses ataques é o Congresso Nacional mais desmoralizado na história da República. Legislam de costas para o povo brasileiro", ressaltou o dirigente. Políticos como Lindbergh Farias (PT), Gleisi Hoffmann (PT), Ivan Valente (PSol) e Eduardo Suplicy (PT) também estiveram presentes.
Diversidade
Organizado espontaneamente, a manifestação no Largo da Batata contou com um bloco LGBT.  Na avaliação de Débora Baldin, militante feminista e bissexual, eles estavam presentes por pertencerem à classe trabalhadora. "É preciso nos inserir como tal na discussão que o País está enfrentando agora, que é de retrocesso em todas as áreas. O Governo Temer representa o que nos agride, quem combate a nossa existência e a sobrevivência de uma sociedade plural e diversa", criticou. "É o empresariado do País que é atendido por esse governo, mais ninguém. É um projeto de sociedade que o povo brasileiro não escolheu e está sendo implementado a força", disse Baldin.
Fernando Mola, também organizador do bloco, endossa que a população LGBT sofrerá grandes danos com as reformas do Governo Temer. "A maioria da população LGBT está submetida ao subemprego, à terceirização. Somos diretamente atingidos pelas reformas trabalhistas e da Previdência, embora parte do movimento LGBT nem vá se aposentar, porque as travestis nem sobrevivem para se aposentar e nem estão no mercado formal de trabalho", lamentou Mola.
Repressão
Em São Paulo, balanço da Secretaria de Segurança Pública (SSP) estimou que cerca de 50 manifestações ocorreram em todo o estado. As milhares de pessoas reunidas no Largo da Batata, na capital, seguiram para a residência do presidente em exercício Michel Temer, em Alto de Pinheiros, e foram reprimidas por forte aparato policial.
Ainda após a repressão, a Tropa de Choque da Polícia Militar jogou bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral arbitrariamente no Largo da Batata, para onde dezenas de manifestantes retornaram em direção ao metrô. Bares e comércios populares do local fecharam suas portas devido aos efeitos do gás por aproximadamente 20 minutos.
Na Cinelândia, no Rio de Janeiro, manifestantes também sofreram a repressão da Polícia Militar, o que impediu o comício de encerramento da manifestação. Testemunhas afirmaram que bombas foram lançadas em cima do palco, onde seria realizado o ato; e que, antes, na concentração em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), já havia acontecido um primeiro ataque.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção do Rio de Janeiro, se manifestou por meio de nota, assinada pelo presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, contra a violência policial: “Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. Se houve excessos por parte de alguns ativistas, a polícia deveria tratar de contê-los na forma da lei”.
Fonte: carosamigos.com.br
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