quinta-feira, 30 de março de 2017

Ciência e Medicina: o viés machista

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As manifestações no Brasil e em todo o mundo por ocasião do Dia Internacional da Mulher, que este ano se articularam em torno do movimento global “8M”, têm promovido intensas articulações para ocupar as ruas e também proporcionado uma variedade de debates e reflexões acerca das questões de gênero e dos feminismos na sociedade. Um dos temas mais relevantes e, talvez, um dos menos discutidos é o cerne de uma campanha lançada neste 8 de março pela ONU Mulheres: “Onde estão as mulheres cientistas?”, uma iniciativa sobre gênero e ciência.
Este debate envolve questões referentes às desigualdades de acesso e oportunidades para as mulheres nas diferentes áreas científicas, o teto de vidro nestas carreiras, as barreiras de acesso, a força do patriarcado sustentado pela epistemologia positivista e pela adoção do “masculino universal” como parâmetro generalizado na maioria das pesquisas.
Em 1999 foi lançado nos Estados Unidos o livro mais emblemático sobre gênero e ciência: O Feminismo Mudou a Ciência?, de Londa Schienbinger (obra que chegou ao Brasil em 2001). De caráter abrangente – tratando desde a historiografia das ciências e a evolução das questões de gênero até a cultura de gênero reproduzida em diferentes ramos da ciência – o livro faz “revelações” polêmicas e problematiza até que ponto o feminismo teve um impacto transformador na construção do conhecimento científico.
Ao relatar as consequências das desigualdades de gênero nas áreas médica e farmacêutica, Schienbinger demonstra como o patriarcado influenciou de tal forma a ciência que levou pesquisadores a supor que as doenças de homens e mulheres eram semelhantes, quando de fato não eram; ou que as doenças de homens e mulheres eram diferentes, quando de fato eram semelhantes. Desta forma, inúmeros aspectos da saúde das mulheres têm sido pouco estudados ou até mesmo negligenciados.
Algumas informações apontadas na obra em questão são pertinentes ao debate acerca da participação das mulheres em todas as etapas e em todos os espaços da produção científica, bem como evidenciam a pertinência das epistemologias feministas. As mulheres foram, por exemplo, excluídas dos estudos sobre a interação entre a terapia de estrógeno e doenças cardiovasculares; até o início dos anos 90. Eram totalmente excluídas dos estudos conduzidos para produção de novos medicamentos nos Estados Unidos, apesar de consumirem 80% dos fármacos comercializados no país. E embora pouco se soubesse à época sobre os efeitos da aspirina em doenças do coração em mulheres, mulheres na idade adulta foram encorajadas a tomar uma aspirina por dia durante décadas até que em 2014 foi concluído o primeiro estudo dos efeitos deste remédio (que foi criado em 1897) nas mulheres, e se descobriu que seu uso contínuo por mulheres abaixo dos 65 anos não é benéfico para a prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer, por aumentar os riscos de sangramento gastrointestinal.
Até o início do século XXI, apenas metade das drogas pesquisadas no mundo havia sido analisada segundo diferenças relacionadas ao sexo. Uma ciência construída no âmbito do patriarcado, circunscrita à pseudoneutralidade do positivismo, será edificada a partir do masculino universal como objeto básico de pesquisa. Em tal contexto, Schienbinger constata que os corpos femininos foram considerados um desvio da norma masculina, e os estudos científicos convergiram para sua singularidade reprodutiva. Os resultados de pesquisas médicas conduzidas entre homens em todas as demais áreas são, então, aplicados às mulheres, embora as consequências para as mulheres em termos de doenças, diagnóstico, prevenção e tratamento na esfera não reprodutiva não tenham sido adequadamente estudadas. Sendo que dar remédios às mulheres, em dosagens projetadas para homens, obviamente as expõe ao risco de doses excessivas.
Os resultados da maioria dos testes com medicamentos e protocolos de atendimento foram generalizados para as mulheres, a quem se receitavam (e ainda se receitam) dosagens planejadas para o peso e metabolismo médio dos homens. As razões pelas quais o masculino universal segue como parâmetro em áreas científicas cujos produtos finais podem gerar riscos à integridade física e à qualidade de vida de metade da população mundial são basicamente duas: os interesses capitalistas da indústria farmacêutica, que se beneficia com os argumentos da neutralidade científica para conduzir estudos únicos com grupos heterogêneos de homens, o que reduz o custo de produção; e a cultura científica patriarcal, que durante séculos partiu de premissas equivocadas na condução de estudos e que nas últimas décadas vem sendo problematizada pelas práticas feministas e por cientistas feministas. Por isso, a resposta ao questionamento de Londa Schienbinger “O feminismo mudou a ciência?” é: estamos mudando (não sem luta), mas ainda há muito a avançar.
Tais transformações são urgentes e necessárias porque diversos estudos, a exemplo das publicações de Schienbinger e de outras pesquisadoras feministas, nos alertam para os riscos de uma ciência patriarcal que exclui as mulheres, ao mesmo tempo em que apontam a insuficiência de dados sobre as mulheres em diversas áreas da produção científica ou, ainda, para a dificuldade de acesso aos dados existentes. Em suma, a autora nos coloca diante do saldo de uma produção científica androcêntrica: as mulheres sofrem desnecessariamente e morrem. Reações adversas a drogas ocorrem duas vezes mais em mulheres do que em homens. Algumas drogas que dissolvem coágulos, usadas para tratar ataques do coração, por exemplo, embora sejam benéficas a maioria dos homens, causam problemas de sangramento em muitas mulheres. Drogas típicas para tratamento da hipertensão arterial tendem a diminuir a mortalidade masculina por ataques cardíacos, mas provaram aumentar as mortes entre mulheres. No final da década de 90 surgiram indícios de que os efeitos de antidepressivos poderiam variar no decorrer do ciclo menstrual e desta maneira, uma dosagem constante poderia ser alta demais em alguns pontos do ciclo da mulher, e baixa demais em outros. Em 2014, pesquisas demonstraram que hormônios femininos e diferenças na composição corporal e no metabolismo podem tornar as mulheres de 50% a 75% mais propensas a manifestar efeitos colaterais medicamentosos.
Para além do questionamento proposto pela ONU Mulheres sobre “Onde estão as mulheres cientistas?”, precisamos nos interrogar acerca de “Quais são as pautas feministas relacionadas à ciência?”. Nos últimos anos temos alcançado no Brasil algumas conquistas importantes na área dos direitos sexuais e reprodutivos, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (de 2009) que consolidou e aperfeiçoou os avanços do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (de 1984) em áreas como clínica ginecológica, no pré-natal, parto e puerpério, no climatério, planejamento familiar, DST, câncer de colo de útero e de mama etc. Mas os desafios são muitos e as pautas são extensas, afetam as mulheres em diferentes dimensões (estudos, mercado de trabalho, acesso à saúde, uso de medicamentos,etc.) e compõem a complexa amálgama das lutas dos feminismos. Entretanto, uma das questões que se destaca a partir das leituras críticas da ciência patriarcal e androcêntrica, e que talvez seja a pergunta mais difícil é: “A ciência está matando as mulheres?”. A única certeza até aqui é a de que não temos sequer os elementos necessários para uma resposta definitiva. Como nos lembra Juliet Mitchell, a revolução das mulheres é a revolução mais longa…
Por Luciana da Luz Silva e Marcelo Pires Mendonça
Fonte: carosamigos.com.br
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sábado, 25 de março de 2017

Revolução Russa: assim tudo começou

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Em fevereiro de 1917 na Rússia, em plena guerra mundial, o regime czarista da secular dinastia Romanov é derrubado por um amplo levante de massas. Alguns meses mais tarde, em outubro (as revoluções russas de março e novembro ocorreram, pelo calendário adotado pelo antigo regime, duas semanas antes, e assim ficaram conhecidas), apoiado na mobilização popular e nos sovietes (conselhos) de operários, soldados e camponeses que tomam todo o país, os bolcheviques liderados por Lenin e Trotsky conquistam o poder. Pela primeira vez na história, desde a radicalmente democrática Comuna de Paris ser afogada em sangue pela reação burguesa, uma revolução vitoriosa dava início à construção de uma sociedade socialista. A barbárie imperialista da Primeira Guerra Mundial havia aberto uma nova época, a era da atualidade da revolução. Começava um novo capítulo da modernidade. O século XX iniciava.
A revolução de fevereiro
A miséria gerada pela guerra e pelo inverno de 1916-1917 faz a insurreição contra o regime do czar Nicolau II explodir em fevereiro. A marcha do Dia Internacional das Mulheres deflagra a greve das trabalhadoras na indústria textil, que se estende rapidamente ao conjunto do proletariado de Petrogrado (hoje São Petesburgo), capital da monarquia imperial russa. Em poucos dias, a greve de massas transforma-se em insurreição, com os gritos de “Pão”, “Paz” e “Abaixo o Czar”, e a passagem da guarnição militar para o lado dos revolucionários. Os trabalhadores redescobrem a auto-organização e o duplo poder: resgatam a experiência da revolução de 1905, com a formação de “sovietes” (conselhos) nas fábricas e nos bairros, e a organização de uma milícia operária (a “guarda vermelha”). Na frente de batalha, os soldados elegem seus comitês e questionam os oficiais de um exército que começa a se decompor, enquanto o campesinato inicia uma verdadeira revolução agrária no campo. O aparato do Estado e a base social do regime entram em colapso.
A dualidade de poder
Entre fevereiro e outubro de 1917 a Rússia vive uma explosão social e um processo de radicalização democrática impensável sob uma autocracia, algo inédito em termos mundiais: uma situação de dualidade de poder entre “os de baixo” e “os de cima”. De um lado, estava o chamado governo provisório, que sucede o regime do czar deposto. Constituído por liberais e reformistas moderados, ele mantém a aliança com as potências imperialistas e prossegue com o esforço de guerra. De outro, estavam as massas populares das cidades e do campo, com a sua vanguarda de representantes eleitos nos conselhos, exasperadas com a situação paradoxal de terem derrubado o regime em nome de “paz, pão e terra”, e nada disso se materializar na vida real. A resposta a esse paradoxo estava na hegemonia política no interior dos sovietes. Eram os setores social-democratas moderados (mencheviques) e os socialistas-revolucionários (populistas) que tinham maioria. A ala revolucionária, composta pelos bolcheviques e os socialistas-revolucionários de esquerda, era minoritária entre os representantes eleitos nos sovietes.
A partir de maio, com a evolução da crise, o agravamento da fome e as derrotas militares, os partidos reformistas, majoritários nos sovietes, integram-se ao governo provisório. Passam então, de apoiadores críticos a colaboradores diretos da ordem, e tentam frear a radicalização do movimento revolucionário, acumulando desgate e perda de credibilidade com a base social. Os bolcheviques crescem em influência defendendo a jornada de 8 horas e o controle operário nas fábricas. No início de junho, realiza-se o Primeiro Congresso de Deputados Operários e Soldados, com mais de 1000 delegados eleitos por 20 milhões de pessoas. O Congresso dos Sovietes reúne uma ampla maioria de representantes moderados do partido populista, dos mencheviques e de socialistas independentes. Os bolcheviques têm apenas 10% dos delegados. Logo após, o Soviete se reagrupa com o Congresso Pan-Russo dos Camponeses, onde os populistas possuem uma esmagadora maioria. Nesse contexto de crise e de crescimento do descontentamento popular, o governo provisório desmoraliza-se rapidamente, e avança a consigna política defendida pelos bolcheviques: “Todo o poder aos sovietes”.
Revolução e contra-revolução
A nova relação de forças leva ao choque entre revolução e contra-revolução nas “jornadas de julho”. Kerensky, um trabalhista moderado, assume a direção do governo provisório como primeiro-ministro, restaura a pena de morte, dissolve os regimentos insurretos e designa o general Kornilov comandante do Estado-Maior. Apesar da repressão, os bolcheviques avançam em influência na classe operária e no exército. Em agosto, o general Kornilov deflagra uma tentativa de golpe de Estado, mas em poucos dias é derrotado, graças à resistência armada dos sovietes de Petrogrado, já sob a liderança bolchevique. Assim, no começo de setembro, o pêndulo da política oscila radicalmente. O partido bolchevique (com Lênin na clandestinidade, na Finlândia) torna-se majoritário nos sovietes de Petrogrado e Moscou. A dinâmica revolucionária impõe seu ritmo vertiginoso e a direção bolchevique enfrenta uma divisão sobre a estratégia a ser adotada: de um lado, Lênin e a maioria, partidários da preparação imediata da insurreição e da tomada do poder; de outro, Zinoviev e Kamenev, contrários à linha insurrecional. Convocado o Congresso Nacional dos Sovietes de Operários, Soldados e Camponeses de toda a Rússia, o Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado, comandado por Trotsky, inicia a preparação da insurreição. Quando o Congresso dos Sovietes se reúne na capital, em outubro, a revolução já é vitoriosa e o governo provisório não existe mais. A hegemonia do país e dos sovietes havia mudado radicalmente: dos 650 delegados do Congresso, o bloco reformista, antes majoritário, agora tem menos de 100 representantes, enquanto os bolcheviques somam quase 400, aos quais agregam-se os socialistas-revolucionários de esquerda. O Congresso dos Sovietes elege o primeiro governo dos trabalhadores, liderado por Lênin, que anuncia os decretos sobre a paz imediata e sobre a distribuição de terras, e declara: “Iniciamos a construção da nova ordem socialista”.
Após a incruenta e rápida tomada do poder em outubro, devido ao total colapso do governo provisório e do próprio Estado, o poder dos sovietes enfrenta um duríssimo acordo de paz com a Alemanha, sendo obrigado a ceder grande parte do território russo para evitar a ofensiva final do exército imperial germânico no início de 1918. Território recuperado alguns meses mais tarde, após a derrota alemã frente às potências ocidentais. Depois de encerrarem vitoriosamente a guerra, as potências imperialistas atacam a Rússia Soviética com tropas e fornecem apoio às forças russas da contra-revolução, os “exércitos brancos”, impondo uma guerra civil que se desenvolve entre 1918 e 1921, e que termina por destruir completamente o país, já exaurido pela guerra mundial. A guerra civil se conclui com a vitória do Exército Vermelho.
A vitória da revolução socialista na Rússia em 1917 desperta grandes expectativas entre as massas trabalhadoras da Europa, e inspira uma onda revolucionária em vários países, principalmente na Alemanha e Hungria, mas que termina sendo derrotada pelos governos imperialistas (com a colaboração decisiva dos partidos social-democratas). Na jovem União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sete anos de guerra ininterrupta provocam um desastre econômico, social e humano indescritível. Totalmente isolada internacionalmente, destruída materialmente, com suas grandes cidades despovoadas e o povo literalmente esfomeado, a Rússia e o seu Estado dos trabalhadores resistem bravamente aos ataques imperialistas e a guerra civil, mas tanto a democracia dos sovietes como a construção da nova ordem socialista estão irremediavelmente comprometidas.
O ciclo revolucionário de 1917-1923 é derrotado e seguido por um curto período de estabilização do capitalismo, após a carnificina imperialista da guerra (mais de 10 milhões de mortos). Porém, logo a crise mundial retorna com o crash da bolsa de Nova York em 1929 e o início da Grande Depressão, que vai provocar a ascensão do nazismo na Alemanha, e desemboca na maior barbárie da modernidade: a Segunda Guerra Mundial (mais de 50 milhões de mortos). Na URSS, em um contexto de reconstrução do país e de isolamento internacional, e após a morte de Lenin (janeiro de 1924), a situação política, social e econômica favorece a emergência de um regime burocrático e autoritário, frente à diminuição física da classe operária, ao esgotamento das energias sociais dos sovietes e à fusão do partido bolchevique com o aparelho de Estado, sob a direção impiedosa de Stalin. Ao final da década de 1920, Trotsky, já expulso do partido e da própria URSS, caracteriza a situação, passada uma década da vitória de Outubro, em seu livro A Revolução Desfigurada. Finalmente, após o regime stalinista consolidar-se, deflagrar a violência inaudita da coletivização forçada no campo, destruir fisicamente a direção leninista e o próprio Partido Bolchevique, através dos trágicos Processos de Moscou, em meados dos anos 1930, Trotsky declara a Revolução Traída — título de sua obra clássica. Um século depois, a degeneração burocrática da Revolução Russa não apagou a utopia emancipatória do Outubro vermelho de 1917. No centenário da Revolução de Outubro e em plena crise de civilização capitalista, a atualidade dessa utopia continua viva.
Por Eduardo Mancuso
Fonte: carosamigos.com.br
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quinta-feira, 23 de março de 2017

Estilista carioca ganha causa sobre o uso de turbante em fotos de documentos

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“Esse RG para mim, é especial, porque os anteriores foram com turbante, esse meu ultimo RG é um troféu que está em minhas mãos. Eu estou segurando esse troféu, mas eu não estou segurando o meu troféu, eu estou segurando um troféu dos meus irmãos, do povo preto”, diz a estilista Rogéria Ferreira, que foi proibida de tirar foto com turbante na cabeça para a carteira de identidade. O caso da estilista gerou uma ação movida pela Defensoria Pública que obteve ganho de causa, liberando o uso de turbante, óculos e outros adereços para as fotos. A decisão jucidial ocorreu em meados deste março, após cerca de um ano do caso.
Dona da grife Matamba, a estilista conta que sempre usou turbante como uma forma de conservar a sua ancestralidade e descreve a atitude do Departamento de Trânsito (Detran), o órgão na capital fluminense que procurou para tirar a segunda via da identidade após ser assaltada, como uma maneira de tirar a sua individualidade. “Eu uso turbante 24 horas por dia porque faz parte da minha identidade, faz parte de mim”.
Foi questionada se era candomblecista ou se tinha câncer, pois só assim poderia usar o turbante. A estilista se negou a responder aos funcionários do Detran por considerar a pergunta uma afronta à sua intimidade. Os funcionários, muito intransigentes com a situação, prontificaram-se a responder que era para ela ir ao banheiro “dar um jeito no cabelo” ou voltar outro dia. A designer de moda, que precisava do protocolo para tirar a nova identidade, aceitou a represália: “Eu respirei fundo, fui ao banheiro, tirei meu turbante, molhei meu cabelo e tirei a foto”, diz ela.
Após o ocorrido, Rogéria foi à delegacia da Central do Brasil e lá disseram que não poderiam fazer nada por não terem “provas suficientes”. Procurou o Fórum e constatou que não conseguiria ajuda também. Conversando com um amigo, teve a indicação de um advogado do Núcleo de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e, por intermédio desse núcleo, Rogéria chegou à Defensoria, que moveu ação contra o Estado. Um ano depois do caso, a Defensoria obteve ganho de causa, garantindo o direito de que as pessoas exibam, em seus documentos de identidade, foto usando turbantes, chapéus, véus ou qualquer outra cobertura de cabeça, feita por motivo religioso, desde que não esconda o rosto.
Racismo no Brasil é algo estrutural
A estilista acredita que o racismo no País seja algo estrutural: “Eu sinto que as pessoas não admitem que o preto faça alguma coisa, como se não admitissem que o preto brilhe, destaque-se. Eu percebo que o preto é proibido de saber de alguma coisa, proibido de aprender, proibido de ser patrão, eu falo isso também por ser afroempreendedora”
Como dona da marca Matamba, ela lida com diversos tipos de personalidade que, muitas vezes, apesar de gostarem dos seus produtos, não acreditam que foi ela que confeccionou: “As pessoas quando vêem minhas coisas acham maravilhosas, mas elas não admitem que seja uma preta que fez. No fundo, elas não acreditam que eu sou capaz de ter feito aquilo. Então você percebe que todo indivíduo carrega um certo nível de preconceito”.
Mudança para o Rio de Janeiro
Rogéria mudou-se para o Rio aos 18 anos para fazer faculdade de Ciências Sociais. Porém teve de abandonar os estudos após a situação financeira apertar. A estilista é mineira de Pirapitinga e até hoje se assusta com a hostilidade e o racismo das ruas da cidade grande.
“No Rio se você vê um preto de terno e gravata, você já ouve o burburinho de que a pessoa só pode ser motorista. No metrô, outro dia, aconteceu uma situação semelhante a essa que descrevi: tinha um homem com terno e gravata e começaram duas mulheres argumentarem que ele só poderia ser motorista de alguma ‘madame’ com aquele traje. No mesmo momento eu levantei e questionei as senhoras se ele não poderia ser um executivo de uma grande empresa ou ter qualquer outra profissão que não fosse a de um motorista”.
A estilista diz que em Pirapitinga era possível enxergar mais empatia, realidade que não consegue observar em uma cidade com a dimensão geográfica do Rio de Janeiro. 
Sobre vender seu trabalho para varias etnias
Dona da grife Matamba há aproximadamente um ano, Rogéria vende seu trabalho para todas as etnias. “Eu vendo para caucasiano. Por exemplo, o turbante, turbante não tem uma pessoa que não acha o turbante bonito, o turbante é uma coroa, não tem como alguém não achar isso lindo. A diferença de uma mulher preta e uma mulher branca usar o turbante é o resgate da nossa ancestralidade”.
Por: Marina Saran
Fonte: carosamigos.com.br
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quarta-feira, 22 de março de 2017

PALESTRA SOBRE REFORMA DO ENSINO MÉDIO

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Aconteceu hoje (22/03/2017) na Câmara de Vereadores de Governador Mangabeira, uma palestra com o PROFESSOR BORGES, acerca da REFORMA DO ENSINO MÉDIO, aprovada no GOVERNO GOLPISTA de Michel Temer. Reforma essa que não foi discutida com os movimentos sociais, os professores, alunos, pais, especialistas e a sociedade de modo geral. O evento foi promovido pela APLB Sindicato, fruto de um conjunto de atividades em oposição a reforma da previdência apresentada pelo governo ilegítimo de Temer.
Durante a palestra o professor Borges, realizou um breve histórico acerca do ensino médio no Brasil, bem como, elucidou as principais aspectos da lei (PLV 34/2016), que implementa o novo ensino médio no país. Abaixo, consta uma síntese dessas mudanças.
Em tem, parabenizamos a APLB local, através das professoras Alina Rita e Marlene Borges, pela realização dessas atividades, bem como, as professores e os professoras das redes municipal e estadual pela presença nos eventos, demonstrando a força da categoria e ao mesmo tempo dizendo não as ideias desse governo golpista em querer tirar direitos da classe trabalhadora brasileira.

REFORMA DO ENSINO MÉDIO – PRINCIPAIS MUDANÇAS

         Carga horária anual- Aumentará de 800 para 1.400 de forma gradual, nos cinco primeiros anos as escolas devem atingir 1.000 horas.
         60% dessa carga horária será preenchida com Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os 40% serão optativos, segundo interesse do aluno e voltados para as realidades local e regional.
         Carga horária diária -  passará para cinco horas no prazo de cinco anos. Depois  aumentará para sete horas diária para ofertar educação em tempo integral.
         O aluno escolherá as disciplinas que deseja cursar conforme sua área de interesse a partir da segunda metade do ensino médio. 
          Disciplinas obrigatórias – apenas matemática, língua portuguesa e língua estrangeira nos três anos.
         As outras disciplinas irão depender da aprovação da BNCC.
         A BCCN – tem por objetivos definir as bases gerais de cada componente curricular e as possibilidades metodológicas de abordagem desses componentes ao longo da educação básica.  Para entrar em vigor precisa ser aprovada pelo Conselho nacional de Educação.
         Será utilizado um sistema de módulos e de créditos no decorrer do ano letivo.
         Itinerários formativos - linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional.
         As escolas serão obrigadas a oferecer pelo menos uma dessas áreas aos estudantes.
         Cada Estado organizará seu currículo.
         Ensino técnico - o aluno poderá optar por uma formação técnica profissional durante o ensino médio regular e, ao final dos três anos, ser certificado tanto no ensino médio como no curso técnico.
         Livros didáticos -  serão articulados por área do conhecimento, unificando as disciplinas.
         Créditos – os alunos poderão utilizar as disciplinas cursadas  no ensino médio na universidade.
         Avaliação - Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação processual e formativa serão organizados nas redes de ensino por meio de atividades teóricas e práticas, provas orais e escritas, seminários, projetos e atividades online, de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:   I – domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna;  II – conhecimento das formas contemporâneas de linguagem.”
         Notório saber – profissionais com bacharelado poderão ministrar aulas em disciplinas dos cursos técnicos e profissionalizantes.
         Prazos - A partir da publicação da BNCC, os sistemas de ensino terão o ano letivo seguinte para estabelecer o cronograma de implantação das principais alterações, e iniciar o processo de implementação a partir do segundo ano letivo.
         A previsão do governo para a implementação do “novo” ensino médio é 2019.
         As escolas particulares, também terão que seguir as novas regras.
         Recursos – repasse de verbas do Governo Federal para as escolas por 10 anos, a partir da implementação dos sistema. Cada escola receberá R$ 2 mil por ano para cada aluno.
         Críticas dos especialistas
         O governo apresentou as mudanças através de uma medida provisória, sem consultar a sociedade e especialistas.
         Separação entre quem terá formação operária e quem terá a formação intelectual.
     A reforma não leva em consideração a  formação continuada de professores e professoras, bem como, não menciona a valorização salarial.
              As mudanças não enfatizam o ensino médio noturno, como a EJA.
         As escolas estão com dificuldades de recursos, sejam humanos, técnicos ou financeiros para implementarem as reformas.
         O perigo que as escolas sejam transformadas em uma espécie de colégio interno, com a suposta ideia de educação em tempo integral.
         Confusão entre BNC e currículo.
         Filosofia e sociologia como disciplinas optativas.
         O problema da educação no Brasil não está no número de disciplinas, mas na falta de articulação entre elas.

         Perigo de uma elevada concentração de alunos em uma determinada área na segunda metade do ensino médio.
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terça-feira, 21 de março de 2017

Nota contra a perseguição e coação a professores de história

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Os profissionais da História brasileiros representados pela ANPUH vem a público demonstrar sua profunda preocupação com o processo de coação e perseguição sofrido por professores de História ao longo dos últimos meses.
Esse processo, certamente, é estimulado pelo movimento Escola Sem Partido que organiza eventos, produz conteúdo digital divulgado em seu sítio eletrônico etc. e patrocina ações legislativas que estimulam a coação, o constrangimento e a censura aos professores de História em todo o território nacional. Já temos registro de casos de professores que sofreram e ainda sofrem esse tipo de ação.
No momento, três casos nos preocupam profundamente.
O primeiro é o do Colégio Pedro II na cidade do Rio de Janeiro. Lá, professores de História, há alguns meses, foram interpelados pelo Ministério Público Federal, que acaba de abrir um processo administrativo contra esses servidores públicos federais por supostos delitos.
O segundo é o processo civil contra a professora Marlene de Faveri no Estado de Santa Catarina, por suposta propaganda do feminismo em sua atividade docente.
E, finalmente, o afastamento da atividade docente do Professor José Mineiro da rede pública estadual do Rio Grande do Sul, em função também do conteúdo de sua atividade docente.
Todos esses eventos de censura e perseguição a professores são baseados principalmente na "crença" do "Escola sem Partido" de que os docentes estariam fazendo "doutrinação esquerdista" dos seus alunos.
A ANPUH registra sua indignação com a desvalorização e a criminalização do trabalho dos profissionais da História presentes nesse tipo de ação e chama a atenção para os resultados catastróficos para o futuro da democracia e do pensamento crítico e emancipador na sociedade brasileira.

Fonte: anpuh.org.br

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quarta-feira, 15 de março de 2017

Manifestações em Salvador contra a Reforma da Previdência

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Hoje (15/03), aconteceram em Salvador manifestações contra a Reforma da Previdência, proposta pelo governo golpista de Michel Temer. Pela manhã milhares de pessoas se reuniram em frente ao Iguatemi, já pela tarde outros milhares se deslocaram em passeata do Campo Grande para a Praça Castro Alves. As manifestações foram organizadas por diversas centrais sindicais, dentre elas a CTB, CUT e UGT, sendo que em relação aos profissionais de educação, a coordenação ficou a cargo da APLB Sindicato. Estudantes de escolas públicas e particulares, também participaram das atividades.
Diversos representantes de sindicatos do estado da Bahia, coordenados pela APLB Sindicato, discusaram enfatizando os prejuízos que a Reforma da Previdência podem causar para a classe trabalhadora brasileira, ao passo que entoavam palavras de ordem como: "não a reforma da previdência", bem como, "fora Temer", as quais eram respondidas pelo público presente.
Centenas de delegações do interior do estado estavam presentes na manifestação. O município de Governador Mangabeira, esteve representado através de professores e professoras das redes municipal e estadual, coordenados pela APLB local, através das professoras Alina Rita e Marlene Borges. Junto com os educadores estava a vereadora Maria das Graças Menezes (Gal).
As manifestações de hoje, na área da educação, inauguram um período de paralisação de dez dias nas escolas municipais e estaduais, quanto os profissionais dessa área estarão discutindo em suas cidades os efeitos danosos da Reforma da Previdência para os trabalhadores e trabalhadoras de todo o país, bem como, irão realizar manifestações em praças e ruas das cidades como forma de demonstrar para a população em geral os prejuízos da mencionada reforma.

NENHUM DIREITO A MENOS. NÃO A REFORMA DA PREVIDÊNCIA. FORA TEMER...
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sábado, 4 de março de 2017

PETIÇÃO PÚBLICA CONTRA A EXCLUSÃO DA HISTÓRIA COMO DISCIPLINA OBRIGATÓRIA NO ENSINO MÉDIO

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Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Michel Temer:

A Medida Provisória nº 746/16 referente à Reforma do Ensino Médio Brasileiro, recentemente aprovada sem consulta previa à sociedade, exclui a obrigatoriedade da disciplina História neste nível de ensino. Tal exclusão representa um prejuízo inestimável para a formação de nossos estudantes, não só no que se refere ao conhecimento do passado, mas sobretudo, pela sua importância na orientação de valores básicos relacionados à cidadania numa sociedade democrática.
Reavivando a memória do Regime Militar, vale lembrar que essa disciplina foi alvo de repressão durante a ditadura e acabou sendo diluída na disciplina denominada Estudos Sociais. Só voltou a integrar o currículo do Ensino Básico a partir de uma forte resistência da comunidade de historiadores, com apoio de amplos setores da sociedade que lutavam pela redemocratização do país. Na vigência do regime democrático, a exclusão da disciplina História do rol das disciplinas obrigatórias é inaceitável.
Concordando com os argumentos expostos acima, subscrevo meu apoio à luta pela permanência da História no currículo escolar em todos os níveis.


Assine o Abaixo-Assinado aqui.
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Jesus te salvou do que, afinal?

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Quem já não ouviu de um fanático religioso a frase coercitiva "Jesus morreu pelos seus pecados!”, uma frase que parece nos colocar em dívida com Deus. A frase parece ter a intenção de nos fazer sentir em falta com o “Criador” se não frequentamos uma determinada religião. De fato, no início da vida de Jesus (Mt 1, 18-24), o evangelista deixa claro que quem irá nascer será aquele “que vai salvar seu povo de seus pecados”. Mas sejamos sinceros: Jesus nos salvou do que?
Se analisarmos o desenvolvimento da humanidade depois de Jesus Cristo encontraremos uma história de derramamento de sangue em nome ou não de Deus, de escravidão negra, de extermínio de povos na América e África, de duas grandes guerras somente no século 20 e hoje não temos uma sociedade sem pecados, sejam eles individuais ou sociais. Então, do que Jesus nos salvou?
O problema está na pergunta formulada e não na resposta. A pergunta não pode ser feita no pretérito, mas no presente: Jesus nos salva do que? Esta pergunta possui muito mais relação conosco do que com Deus. Deus já fez a sua parte. Jesus é um paradigma, um modelo a ser seguido, o caminho, a verdade de Deus e, portanto, a vida. Cabe a cada um de nós seguir ou não este modelo, viver como salvo ou como condenado. E quando eu falo em seguir ou não este modelo não está falando em ser adepto de uma religião ou não. A questão está relacionada a valores. Se lermos com atenção os Evangelhos veremos que ao vivermos os valores pregados e vividos por Jesus encontraremos um caminho de salvação não somente individual, mas também coletiva.
Ao vivermos como Jesus somos salvos de muitos aspectos destrutivos da vida. Jesus nos salva da hipocrisia. Jesus é uma pessoa verdadeira e que critica (principalmente os religiosos da época) todos que constroem relações baseadas na falsidade ou nas conveniências sociais. Jesus nos ensina que, ao vivermos na sinceridade e na veracidade, construímos uma vida segura para todos. Jesus nos salva do individualismo, pois Ele se envolve em todas as circunstâncias que lhe aparecem pela frente. Jesus mostra que não existe neutralidade, esta é uma ilusão criada pelo ser humano. A partir do momento em que tomo ciência de algum fato, estou envolvido e, a partir deste momento, cabe a mim a decisão de ser omisso ou me comprometer com ele. Jesus nos salva da indiferença social. Ele se coloca do lado dos pobres, marginalizados, miseráveis, moralmente excluídos, ao lado das mulheres e crianças. Jesus nos salva do “pré-conceito”de qualquer espécie nos mostrando que cada ser humano deve ser respeitado e nenhum deve ser excluído por ser estrangeiros, mulher, portador de deficiências ou qualquer outro motivo. Jesus chega ao ponto de dizer aos fariseus que as prostitutas os precederão no Reino dos Céus.
Por fim, Jesus nos salva da alienação. Por isso, Jesus coloca como mandamento maior amar ao próximo como a ti mesmo. Para viver isso é necessário que eu reflita o que é amar  e como expressar o meu amor em cada circunstância. Como desejo ser amado? Assim devo amar as pessoas. Amar é deixar que o outro possa se desenvolver da sua forma e não da maneira que eu gostaria que fosse. Enfim, para amar eu preciso me conhecer melhor, conhecer o outro, conhecer a lógica de nossa economia capitalista, o sistema de corrupção em nosso país, a política educacional que temos o sistema único de saúde pública, a política do governo atual, etc.
Amar ao próximo não é romantismo ou uma ideia platônica. Amar ao próximo começa com um processo sério de desalienação e termina na ação concreta, na atitude política, no posicionamento contra toda forma de exploração e a favor da vida. Isso é salvação.
Por Padre Beto
 Padre Beto é escritor, cronista e filósofo. Formado em direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em história pela Universidade do Sagrado Coração (USC) e em teologia pela Ludwig-Maximillian, de Munique (Alemanha).
Fonte: carosamigos.com.br
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quinta-feira, 2 de março de 2017

Cuidado com os biomas brasileiros é tema da Campanha da Fraternidade 2017

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Com o tema Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu hoje (1º) a Campanha da Fraternidade 2017. Segundo a CNBB, o objetivo da ação é dar ênfase à diversidade de cada bioma, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses biomas. “Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais”, disse o papa Francisco, em mensagem ao Brasil.
O papa destacou que o desafio global pela preservação, “pelo qual toda a humanidade passa”, exige o envolvimento de cada pessoa junto com a atuação da comunidade local. Para ele, os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa.
“É necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres”, argumentou o papa

Para o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, ninguém pode assistir passivamente à destruição de um bioma, por isso, o assunto não pode ser deixado de lado pela Igreja. “Há muito a ser feito por cada um espontaneamente, como mudança no padrão de consumo, cuidados com a água e com o lixo doméstico, mas necessitamos de iniciativas comunitárias, que exigem a participação do Poder Público e ações efetivas dos governos”, disse. “Precisamos de um modelo econômico que não destrua os recursos naturais".

Tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15).

Fontes: 
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-03/cuidado-com-os-biomas-brasileiros-e-tema-da-campanha-da-fraternidade-2017
http://www.campanhadafraternidade2017.com.br/
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